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pintovieiradesenho

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segunda-feira, 29 de agosto de 2016



Este blog destina-se a divulgar 
as obras de artes plásticas 
que fui realizando desde 1965 
- mostradas em parte 
nas imagens das "páginas".  
Também noutras "páginas" 
se encontram textos diversos 
que entretanto fui produzindo.

Nesta página, "mensagens", aparecerão textos do momento, em secções próprias, imagens de obras recentes, notícias e, também, textos mais longos e curtos que tenham sido produzidos recentemente e que se justifique a sua divulgação no momento.

joaquimpintovieira1@hotmail.com

OS OUTROS BLOGS QUE EDITO SÃO 
http://drawingdesenhodibujo.blogspot.com
http://pintovieiraensinodesenho.blogspot.com
http://pintovieirapupila.blogspot.com
http://atalhadoagostinho.blogspot.com

BLOGS DE AMIGOS














Mensagens da quinzena


De 5 de NOVEMBRO
a 19 de NOVEMBRO de 2018



Textos e obras disponíveis nesta página.
Nas outras páginas estão as imagens e textos aqui publicados e não publicados.




LISTA DE PUBLICAÇÕES RECENTES em AZUL



.  O OUTRO

. ESQUÍROLAS DO DESENHO

. DESENHOS DIGITAIS   
   SOBRE O PRETO

. DESENHOS SEM PENSAR





.  O OUTRO

.  ESQUÍROLAS DO DESENHO

.  AGUARELAS
 
 . NOVAS PINTURAS A ÓLEO

 .  PINDUAS/PINDOIS
    Pequenas pinturas em madeira

. DESENHOS NO iPad
  
. UMA IMAGEM E 
  QUASE MIL PALAVRAS 

. EXPOSIÇÃO FAUP . Projeto RISCOTUDO
  DESENHO setorna PINTURA 
  10 montagens de aguarelas e desenhos



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O OUTRO
  
Nesta série de pequenas crónicas pretendo verter o que me vai na mente sobre experiências com as obras de alguns contemporâneos, conterrâneos e outros. Serei breve mas intenso quanto possa. É só um pequeno contributo para evitar o silêncio. O outros textos podem ser vistos na Página própria.



LE CORBUSIER





















Charles-Edouard, dito, Le Corbusier,1887-1965, Suiça é um dos mais fascinantes artistas do século XX, um dos mais importantes, controversos e inovadores arquitetos. Urbanista, arquiteto, teórico designer, desenhador e pintor e menos escultor.  Esta imagem é a porta de entrada da Assembleia do estado da nova cidade de Chandigard na Índia em 1951-56, planeada por ele. Lá está também a famosa escultura em betão da Mão Aberta, com 26 metros.  Esta enorme porta em ferro foi pintada por ele pessoalmente.  Ainda hoje as imagens mostram uma admirável conservação, admitindo que não foi restaurada. Como pintor nunca me entusiasmou mas a sua arquitetura é do melhor que me tem feito sentir o que é o espaço interior, o habitar, o construir a imagem da cidade e da habitação modernista ou contemporânea. Como continuam atraentes passados vários anos! Esta porta resume como ele repetia em muitas obras certos mitos da sua doutrina e sensibilidade artística e estética. A abstração que é por natureza a predisposição dominante no arquiteto, nele que se escondia o pintor ele era muitas vezes irrompida pela representação. Como modernista convito e militante isto era um problema que muitos dos seus discípulos, mesmo portugueses, sentem e procuram contornar ou resolver. Mas 70 anos após a sua realização, já era eu menino, não deixa de me surpreender a decisão e a convicção artística.




ESQUÍROLAS 
DO DESENHO

São pequenas partículas que saltam desse  
osso enorme e difuso que se pode chamar de, Desenho;
e daquilo que o envolve. Surgem do nada e a propósito de tudo.

Muitas das anteriormente publicadas podem ser vistas na PÁGINA ESQUÍROLAS DO DESENHO, ou mais à frente.




Esquírola cento e noventa e três

Quis a crise “Ribas” que eu olhasse com mais atenção para os lugares sagrados das Artes Plásticas em Portugal. A CACGulbenkian e o Museu de Serralves. Devo fazer declaração de interesses. Não estou representado, como se diz, no CAC e tenho 3 peças em Serrralves. Nem sei porquê! Fui ver o que há para ver, e o que são os espólios, através dos sites, pois doutra forma nunca mais veria nada. Oh, digitalização bendita na NET! Olha-se para os últimos 60 anos. O que se pode esperar encontrar institucionalizado? Como se concretiza a institucionalização da cultura artística? Reflete ela, nesses espólios, dessas supremas instituições, o que é o Bom, o que merece ser Memória e que além disso tem Qualidade, exigências que um especialista, considerou como bases principais de proteção do património.  Com tanta coisa já feita e em ruína e perante tanta a fazer-se, cada vez mais, um Critério vai surgir?  Como se pode manter para além da gestão da circunstância de variados interesses curatoriais e anexos. No CAC há 1000 artistas, metade estrangeiros. Em Serralves há 550, 200 estrangeiros.  O número de obras por autor é muito variado, indo das dezenas à unidade. A representação dos autores parece obedecer a qualquer critério? Satisfazem em grupo e pelo conjunto coletivo das obras uma visão integradora de um movimento de uma escola, de uma tendência. Há tendências que devem ser ignoradas?  Estes espólios serão suporte credível e isento de investigação histórica e do consequente estudo, alargamento e aprofundamento do conhecimento? Seria absolutamente indispensável que houvesse nessas instituições um Conselho Artístico restrito, disciplinar e diferenciado constituído por artistas reconhecidos pela comunidade nacional? Nota-se que domine a relação amigável, o conhecimento pessoal, a força do grupo, o gosto do curador? É possível olhando para grupos e autores discernir uma orientação global estratégica que confira às coleções um caráter que as torne visitáveis por essa força expressiva ou artística ou sociológica? Compreendemos por onde, que caminhos, e dificuldades e apoios se desenvolveu essa cultura ou grupos culturais? Há obras de qualidade que nos levem a ansear querer vê-las ou é-nos indiferente que continuem bem guardadas/fechadas?  Dadas as filas enormes no acesso aos Uffizi, decidiram criar um algoritmo que gere o acesso programado. Todos querem ver poucas obras. Boticelli, Mantegna, Miguel Angelo, etc. Metade gasta poucos minutos na visita. São poucos os que passam mais de 3 horas. Que obras há no CAC e em Serralves que nos possam levar a fazer fila para as vermos se forem expostas? Valeria a pena aos Museus gastarem bom dinheiro a ter “meia dúzia de obras” que nos deixassem atónitos, encantados, maravilhados?  Estarão elas, se existirem, para nosso mal, fechados nas casas de alguns colecionadores “avaros”?  Da visita que fiz nos sites respetivos, com as limitações diversas, só me recordo de ficar com interesse em ver ao vivo algumas delas.  Mas já fiz declaração de interesses!




. DESENHOS DIGITAIS
   
   SOBRE O PRETO


Nova série de desenhos explorando as possibilidades operativas de um instrumento-meio
que oferece condições ou oportunidades únicas e insubstituíveis.






















DESENHOS SEM PENSAR
mostrados e apresentados sistemáticamente no blog drawingdesenhodibujo.
Aqui alguns desenhos recentes entre os realizados diariamente.



30.11.18





















19.11.18



















05.10.18





















20.09 18






























EDUARDO ARROYO



















 
Eduardo Arroyo, Madrid, 1937, faleceu há dias.  Diria que é um típico pintor espanhol. A sua obra iniciada como ilustrador de jornais, onde também escrevia e não deixou de escrever, cedo ganhou algum êxito depois da sua estadia forçada, por motivos políticos, em Paris. Designado como neofigurativo estava muito próximo dos pintores valencianos do grupo Crónica. A sua obra integra o design gráfico, com o sem ilustração e a pintura erudita modernista. Temáticamente próxima da imagética e mitologia pop e dos “mitos da sociedade de consumo” ele associa, num processo de montagem cubista, imagens diversas da pintura inglesa e espanhola de várias épocas. Hamilton, Picasso e Velázquez, por ex. A sua pintura é tecnicamente elementar, superfícies planas e forte vibração cromática sem grandes matizes. Muito preto. Tudo no quadro do modernismo. Os temas também o são em grande parte da obra dominados pela denotação que, como costumo designar diz respeito à ausência de complexidade semântica, por uma inexistente ou reduzida relação entre imagens. Inúmeros retratos com face ou sem face. Assim é o design de comunicação. Comunicação mais do que expressão. O que há para ver está ali e talvez o que pensar não dure muito mais em muitos casos. Embora a sua obra seja sobre vários aspetos inédita e variante de processos, asssociações, ideias e contextos é para mim sempre direta e simples. Muitas vezes explora algumas soluções plásticas próximas da pop americana e inglesa, o que é coerente, com alguma singularidade. Depreciava Duchamp e Miró, como eu. Porém, além disso muitas outras coisas nos separam. Há poucos anos, numa entrevista face ao quadro da arte-pintura deste tempo, disse que se tivesse agora vinte anos nunca seria artista. Também isso nos separa, mas bem o compreendo. É assim o valor de ser OUTRO.








ESQUÍROLAS 
DO DESENHO

São pequenas partículas que saltam desse  
osso enorme e difuso que se pode chamar de, Desenho;
e daquilo que o envolve. Surgem do nada e a propósito de tudo.

Muitas das anteriormente publicadas podem ser vistas na PÁGINA ESQUÍROLAS DO DESENHO, ou mais à frente.


Esquírola cento e noventa e dois



“O cinema é a grande ilusão”. Alguém o disse no início do século XX. Eu acho cada vez mais que é a ilusão. Há imensas pessoas que não lhe resistem. E as crianças, senhor!... A ilusão é uma ficção. Recria na mente uma possível realidade mesmo que nos seja completamente estranha em corpo-e-alma. Somos apanhados. A ficção literária faz a ilusão que cada um cria na sua mente com o universo imagético que lhe é próprio. Havia quem pensasse que ler um livro nos podia levar ao diabo. Por isso os filmes que vemos sobre os livros que lemos ou as histórias que conhecemos são quase sempre uma des-ilusão. O cinema foi cedo uma grande industria. Hoje continua a ser e de formas mais variadas. E as industrias dão emprego a muita gente. Por isso tudo está tudo bem, digo eu. Mas eu já raramente aguento ver um filme mais do que alguns minutos. Claro que me refiro à TV. Não vejo filmes no escuro total há muito. Tenho uma deficiência. Só vejo a forma como a ficção me quer ser mostrada. Como o filme está a ser feito. Não vejo os personagens, vejo os atores e os técnicos e as técnicas. Vejo como me querem enganar. Isto pode ser uma doença  moderna.  O teatro, mesmo na TV, não é nada disso. É o que é, como um desenho, ou um cantor, ou tocador de viola. O desenho, a pintura, a poesia, a fotografia, o teatro, a dança, a música não existem para nos enganar. Não são ilusões ou fições. São o que são e que não podem ser de outra forma. São absolutos, isto é porções, mínimas do Todo. São objetos ou ações com possibilidades de interpretação, recusa, compreensão, atração e apaixonamento. Um quadro, e todas as pinturas são para mim uma possibilidade de compreensão de coisas, ou enlaces mentais, que nenhuma fição me pode dar. São algo que eu construo como algo só meu. Mesmo que a imagem pintada seja para alguns uma ilustração.



. DESENHOS DIGITAIS
   
   SOBRE O PRETO


Nova série de desenhos explorando as possibilidades operativas de um instrumento-meio
que oferece condições ou oportunidades únicas e insubstituíveis.






















OUTUBRO DE 2018





PINDUAS/PINDOIS   Pinturas em duas faces e dois tempos


Projeto de pintura em pequena dimensão, em objetos ou superfícies anexas ou contíguas. Como as superfícies ou planos da pintura e da imagem são normalmente opostas quando de vê uma delas não se vê a outra. As superfícies podem ser em número superior e dar origem a situações de desenvolvimento temático ou semântico mais complexo. A exploração da condicionante temporal da apreensão e observação das imagens é o vetor mais importante do projeto pois deve permitir criar inusitadas situações expressivas.

Os objetos são em madeira de diversas árvores e as superfícies são preparadas com colas, tecidos e papeis.  São pintadas em acrílico, esmalte sintético e óleo de água. Também se utilizam pigmentos diversos, purpurinas e folha de ouro.

As dimensões e formatos variam com o tipo de cortes nos troncos das árvores.
O clip presente nas imagens dá a sua dimensão.



 conjunto de 3 novas peças.
































ESQUÍROLAS 
DO DESENHO

São pequenas partículas que saltam desse  
osso enorme e difuso que se pode chamar de, Desenho;
e daquilo que o envolve. Surgem do nada e a propósito de tudo.

Muitas das anteriormente publicadas podem ser vistas na PÁGINA ESQUÍROLAS DO DESENHO, ou mais à frente.


Esquírola cento e noventa e um



Cada vez acho mais o Porto uma cidade maravilhosa. É da (c)idade. Com a idade eu sei agora que há coisas que não via. Isto acontece com todas as idades. A realidade depende da idade. Com a idade tenho mais tempo do pouco tempo que tenho para a vida. Sei com a idade que a compreensão é o dado maior da consciência. Sei o que pode ser o maravilhoso. Acho que sou como as pessoas dos bairros de Aldoar e Campinas, que seguimos em grupo falador, nos 208, 501, 202, para depois apanhar o metro de francos e falar com mais cuidados por causa dos turistas. Ou como muitos comerciantes mais velhos e novos, alguns políticos, gente das artes, em particular. Em todos eles eu sinto que desprezam as veredas do poder. Mas não é assim por esse país fora. Esse poder que julga que pode dizer aos outros como deve ser a vida deles, que os Reis cultivaram, e alguns imperadores que não eram reis, e todos os poderosos colonizadores, mesmo os romanos, o fizeram. Prova de que essa mania não é só áulica. Cada vez acho mais o Porto uma cidade maravilhosa porque o território físico, arquitetónico e construído, geográfico e climatérico é adequado a esse espírito que as gentes cultivam. É um território com um rio que corre apertado entre vales alcantilados de granitos nus, por vezes irritado, que agarra a ele as neblinas que sobem às árvores enormes, nos parques, mais altas do que pode alcançar a vista humana, densas e ligeiras. E isso é maravilhoso ou até incongruente. Esta terra agrega o urbano e o rural em distâncias mínimas. O mar está sempre ao lado, sabendo que, mesmo que invista forte, o vamos receber, pois desde a curva da bacia do Cabedelo aos rochedos de Lavadores o não receamos e nos encanta nas ameaças, por ondas. Fica a dúvida se não é esse território que faz as pessoas sentir ou ter necessidade, ou vontade, de ser assim; ou se ele é assim por essas pessoas o verem assim, como são. Descentralizem, isto é, dêm-nos o poder em tudo aquilo que só nós devemos decidir. O Património e a cultura artística e industrial, a educação, o desporto… Dizem que então o país pode desagregar-se. Ficam as seleções nacionais porque eu se saio de isso que chamo Porto, lugar de chegada e partida, como território, e costumes – não a cidade – não sou capaz de o limitar e mais do que isso, muitos de nós estão a viver com os outros, noutros territórios que têm afinidades diversas. Mas como é que isto afeta, motiva, estimula o Desenho, os meus desenhos? Há quem pense que os desenhos devem fazer pensar, preocupar, tomar partido, mudar o mundo; a outros chega sentir, que divirtam, entretenham ou sejam um jogo; outros, como eu, só interessam se me levarem à compreensão do que sou e do que os outros são; a vida espiritual. Há quem pense que os desenhos devem fazer pensar, preocupar, tomar partido; a outros chega que divirtam, entretenham ou sejam um jogo; outros, como eu, só interessam se me levarem à compreensão do que sou e do que os outros são; a vida espiritual.


 Esquírola cento e noventa 


Uma ínfima parte dos seres culturais do Porto., e uma menos ínfima da Península Ibérica está escandalizada com a demissão do diretor artístico do Museu de Serralves. Motivo: a Administração terá censurado ou condicionado a exposição de fotografias eróticas de Mapplethorpe. São imagens fotográficas de pénis eretos e de cenas sexuais e corporais talvez anómalas entre homens. Hoje qualquer jovem, e mesmo adulto, que tenha um tlm tem acesso, em qualquer lugar e tempo, a milhões de imagens desse género e culto. Não vejo necessidade de impedir que se exponham, ou de não impedir. Também não vejo necessidade de um diretor artístico de um museu julgar que a sua estratégia institucional, que a terá com certeza, seja afetada por uma limitação nesse âmbito.  Não se justifica qualquer demissão perante a banalidade. Nos anos 60 e 70 ver imagens de pénis e vaginas nos média era raro e proibido. Hoje é irrelevante e banal. Por isso as fez Mapplethorp, nessa época, vivendo na cena da Factory e da Pop dos USA, numa estratégia de rutura e escândalo à conquista do “mundo civilizado”, pelo negócio artístico americano, que ainda hoje nos domina imperialmente. Mas, Senhores, hoje que vale isso? Já não chega a feia e ôca fotografia de Koons, (ou outro!) penetrando a vagina da “atriz porno”, imagem politicamente incorreta, que a deprimente e medíocre coleção da Sonnabend nos mostra numa sala reservada a menores, se não acompanhados dos pais. Trata-se para alguns de dar testemunho histórico de obras capitais da evolução da arte. Mas é isto ao que chegou o sonho de milhares de artistas que desde as cavernas aspiram a reencontrar sentido, encanto, revelação e fascínio na existência? Já não chega a inanidade da experiência estética dominante para se juntar a ela a vulgaridade temática e simbólica? Ah! Esqueci-me de falar do Desenho.



Esquírola cento e oitenta e nove


Não seria compreensível que estes textos não abordassem a experiência dos Urbansketchers que há dias ocuparam, por centenas, as zonas centrais da Porto. Vieram alguns de longe e são fiéis adeptos de uma prática e experiência de desenho que poderá não ser artística. Pode ser, por ex., terapeutica.  Para mim, como para as dezenas de docentes de desenho da FAUP, desenhar a cidade e os seus equipamentos é um  programa de formação dentro do universo do desenho como representação. Representar a cidade como espaço e como caráter psicológico, topológico e simbólico, como pretexto para o exercício das técnicas e modalidades concetuais que o desenho comporta e permite. Ao contrário dos urbansketchers, em número elevado, os alunos não desenhavam por prazer, mas por obrigação.  E quase tudo o que desenhavam era imposto. Chama-se a isso uma Disciplina de Desenho. Há objetivos formativos, há tempos, há espaços didáticos, há avaliações e classificações. No processo dos urbansketchers não há nada disso. A  minha experiência de 30 anos a orientar a disciplina, e os alunos no concreto exercício dos desenhos, revela como são diferentes as imagens produzidas nos dois casos, em particular no que se considera serem as imagens da cidade. O que é a Praça da Ribeira, por ex.? Em várias anos desenharam a Praça cerca de 200 alunos por ano. As imagens muito condicionadas pelo docente apresentavam muito mais diversidade da sua conceção do que aquelas que podemos ver nos vários sites da Net sobre o evento, embora saibamos que aí não se vê tudo. Não me refiro aos aspetos plásticos do desenho, que são também muito diversos e diferenciados. Refiro-me ao que se acha que há para ver, o que está ali, e como está ali. A impressão que me fica, pois eu já participei há anos numa iniciativa local da Gesto, e que já então se me revelou, é que há uma dominante do convencionalismo sobre a descoberta original da realidade. Ou a inexistência de um pathos, de uma empatia ou de uma poética do lugar. Mas também vontades do ver mais do que abandonos do ver. O ver o que nunca ninguém vê, mais do que ver outra vez o que todos vêm, embora muitos não sabem que o fazem e como fazem. Será que isso se ensina, se pode ensinar?

Esquírola cento e oitenta e oito


Todos sabemos como Duchamp, há cem anos, teve a ideia genial e cínica de considerar que aquilo que assim se nomeia, como tal, é arte. Cultor da filosofia abstrusa e exata contra a filosofia fácil e óbvia, como diria Hume, mas que muito devem uma à outra, ele abriu a caixa de pandora, donde se mistura, espalhado à nossa volta, tudo o que pode ser bom e mau. Ele amava o xadrez e detestava a pintura. Os pintores do seu tempo, em particular. Ele amava e cultivava o xadrez por ser difícil.  Ele odiava a pintura do seu tempo por ser fácil. E nós podemos pensar assim? Dar valor ao que é difícil e menosprezar o que é fácil?  Não confundimos que difícil é o complicado e o fácil o simples. Mas é verdade que a pintura que por aí se vê desde os finais do séc. XIX é mais fácil do que difícil. Os corifeus do posmodernismo ou do neoliberalismo instalado, usam e abusam dessa filosofia metafísica que desdenha racionalização das impressões e perceções e aposta na razão do pensamento que a si se faz.  Aposta na facilidade que é um direito de todos serem livres, de fazerem tudo o que lhes dá na gana, porque só no seu intímo está a escala do valor e do difícil/fácil, menos jogar xadrez, como o mestre. Sendo que um jogo nunca é arte nem esta um jogo. E porque é que génios como Duchamp, e muitos outros génios, como muitos de nós, dão valor ao difícil? Porque dá gozo. Porque o difícil esconde. Porque o difícil promete e o caminho para a ele aceder tanto depende da filosofia fácil como da filosofia abstrusa. Depende tanto da racionalidade assente na perceção mais fina e forte como na imprecisa e delicada intuição. A ambas se chega não porque se queira, mas se calhar, porque elas se nos apresenta estando nós à sua espera, sem a esperar.  Quase tudo o resto são facilidades pueris que durarão o sopro leve da nova manhã.


Esquírola cento e oitenta e sete


Pergunto-me se os artistas que desenhavam e pintavam em Florença, no Séc. XV, tinham consciência de que estavam a realizar obras de muito valor ou se faziam só o que tinham a fazer sem essa consciência. Pergunto-me se hoje os artistas que povoam os CACs têm uma consciência semelhante de valor ou se fazem só o que têm que fazer sem essa consciência?   Em qualquer caso para eles é indiferente. O que conta é a vidinha, isto é, a minha. Valor chamo eu ao depósito na obra de qualificações, relações ou dependências singulares, inéditas e coerentes que depois de desaparecidos os que as fizeram e os seus amigos, passam a valer mais. Ser mais desejadas pelos outros como indispensáveis. A minha vidinha são os outros. Ter uma consciência mesmo relativa dessa condição nunca nos pode impedir ou impor a realização da obra. Mas há a cultura do local e tempo que sempre envolve a formação desse valor inconsciente e conscientemente. Este tempo, mais que o lugar, desilude-me há muito tempo. Há demasiado, para eu sentir que não estarei a viver uma experiência cultural semelhante aos Florentinos. É este um tempo de decadência em que não se vê futuro, não se compreende o presente, não se ama e se interessa pelo passado, e não se odeia, tolera-se, por ser um mal menor.  A ideologia neoliberal encontrou nas artes plásticas o campo e a matéria para se desenvolver com a maior facilidade. A única coisa que conta é o artista e a sua vidinha. Livre de tudo. Não sei quantos de nós o sentem como eu ou como outros. Mas haverá no ar da cidade, das instituições e das nossas vidas quotidianas, sinais que nos devem levar a acreditar. Acreditam?!






PINDUAS/PINDOIS   Pinturas em duas faces e dois tempos


Projeto de pintura em pequena dimensão, em objetos ou superfícies anexas ou contíguas. Como as superfícies ou planos da pintura e da imagem são normalmente opostas quando de vê uma delas não se vê a outra. As superfícies podem ser em número superior e dar origem a situações de desenvolvimento temático ou semântico mais complexo. A exploração da condicionante temporal da apreensão e observação das imagens é o vetor mais importante do projeto pois deve permitir criar inusitadas situações expressivas.

Os objetos são em madeira de diversas árvores e as superfícies são preparadas com colas, tecidos e papeis.  São pintadas em acrílico, esmalte sintético e óleo de água. Também se utilizam pigmentos diversos, purpurinas e folha de ouro.

As dimensões e formatos variam com o tipo de cortes nos troncos das árvores.
O clip presente nas imagens dá a sua dimensão.






































































































































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O OUTRO
  
Nesta série de pequenas crónicas pretendo verter o que me vai na mente sobre experiências com as obras de alguns contemporâneos, conterrâneos e outros. Serei breve mas intenso quanto possa. É só um pequeno contributo para evitar o silêncio. O outros textos podem ser vistos na Página própria.


MAN RAY





















Man Ray, 1890 -1976, USA, é uma das mais interessantes figuras do Dadaísmo esse movimento anarquista dos anos 20 europeus.  Viveu entre Paris e New York.  A sua obra artística desenvolve-se com grande originalidade e experimentalismo no desenho, na pintura, na fotografia e no cinema. Vai para Los Angeles para tentar viver como fotógrafo. A sua obra como fotógrafo adquiriu certa relevância na cultura modernista e na intenção desnecessária de poder ser considerada arte.  "Em lugar de pintar pessoas, comecei a fotografá-las, e desisti de pintar retratos ou melhor, se pintava um retrato, não me interessava em ficar parecido. Finalmente conclui que não havia comparação entre as duas coisas, fotografia e pintura. Pinto o que não pode ser fotografado, algo surgido da imaginação, ou um sonho, ou um impulso do subconsciente. Fotografo as coisas que não quero pintar, coisas que já existem.". A imagem que  acima mostro é uma das suas obras de desenho que se inscreve nessa sua ideologia, processo e conceção do que é uma imagem e como nos deve chegar. É um desenho para “se pensar”. Não há muito que sentir. Segue os passos do seu amigo Duchamp. Os elementos plásticos são elementares, convencionais. O que é sensacional, causa sensação, é essa impossibilidade de ser uma imagem sobre o real. É uma imagem desenhada sobre uma ideia. A ideia é complexa pois abre para várias linhas de conceção da criação de imagens. Tem vários desenhos em que as mãos são o motivo, o objeto, mas não são o tema. Esse, na boa linha dada-surrealista, espera a nossa decisão e construção. O sentido da obra deve construir-se mais na inteligência do que na sensibilidade. O sentido da obra encontra-se mais na disposição para  o jogo do que para o sentimento.



AWASHIMA CHINGAKU



















Awashima Chingaku, 1822 -1888, Edo, Japão. Esta aguarela sobre papel, 40x39 cm é para mim atrativa por associar dois elementos expressivos. Um deles uma baseado na conceção gráfica do desenho centrada no gesto com origem na escrita ideográfica, a outra numa concentração na comunicação de uma ação expressiva contida na figura animal coisa rara ou estranha ao desenho tradicional oriental, não só japonês. Por outro lado a manutenção de um quadro artístico e estético durante centenas de anos é sempre para mim fascinante por ser estranho à minha cultura atávica de criatividade. Os desenhos a pincel de Sesshu são de 1400. É uma coisa estranha à nossa cultura artística erudita europeia, mesmo medieval. Quando este desenho foi feito os japoneses já conheciam bem a cultura europeia e Van Gogh adorava as estampas japonesas. Desenhar é criar tensões entre os elementos plásticos mas sempre a partir de uma experiência do  real  seja imediata ou mediatizada. Há sempre uma porção circunstancial da vida, um momento que é a razão do desenho. Todo o corpo do gato é tudo menos gato! São manchas fortes curvas agarradas com subtis mudança de tom. A abstração toma conta da ação e do sentido. Mas quando desenhou os olhos do gato tudo isso foi suspenso. Não só os bigodes passaram a ser desenhados com muita precisão em face da necessidade da representação.








PINTORES DE TIGUA


















 


Júlio Toaquiza, 1945, pintor de bombos em pele de ovelha, dos planaltos andinos do Equador, é o protagonista principal da eclosão, numa aldeia da América do Sul, de uma “escola de pintura”. Olga Fisch, pintora e antropóloga húngara, nos finais dos anos 70, sugeriu a Toaquiza que fizesse as pinturas na pele mas presa a uma grade em madeira. Ele começou e não mais parou, como toda a sua família e demais famílias da aldeia de Tigua, a fazer pintura como arte. Olga com relações culturais e artísticas nas grandes cidades americanas transformou uma  atividade popular e restrita, numa zona remota, numa atividade económica decisiva para uma coletividade rural.  A pintura que mostro, e que comprei no Porto há 20 anos, é um bom exemplo. Tem  cerca de 20 centímetros  e poderão ter cerca um metro. A temática é sempre a paisagem local e as festas e celebrações religiosas e as atividade campestres. Começaram por ser pintadas a esmalte sintético e após os anos 90 passaram a ser em acrílico. Podem ser vistas no Youtube alguns exemplos. É sempre maravilhoso assistir a esta eclosão da imagem artística e a uma construção plástica tão verdadeira , espontânea  e não erudita. Através de superfícies planas bem limitadas e da criação de grupos rítmicos de figuras ou de outras formas se constrói a imagem. A cor é sempre pouco saturada, mas muito variada, com deslocamento para o mais claro e muitas vezes para gamas frias. Essas caraterísticas conferem uma leveza e graciosidade que verifico ser dominante nas pinturas que pude ver.


KATE KOLWITZ




















KATHE KOLLWITZ, 1867-1945, Alemanha, foi uma extraordinária desenhadora  num dos períodos mais conturbados da vida política e artística da Europa. Nasce e forma-se com o advento do modernismo e morre com o fim da 2ª Guerra Mundial, dois factos marcantes da história humana. Além de desenhos em diversos suportes fez muita gravura em madeira, metal e litografia.  A sua obra por esse fato está muito disseminada pelo mundo. E em Portugal? A gravura em água forte e água tinta, é de 1910.  A morte, a mãe e a filha. No plano estético a obra de Kollwitz é muito influenciada pelo expressionismo alemão que começa, não só na pintura,  na Alemanha. Em termos plásticos é uma obra de mancha. A linha é quase inexistente ou então é suporte elementar. Goya adoraria. A mancha  a carvão ou crayon conté é muito rica de tonalidades e vai até a saturação do preto.  Nas gravuras diversas assim também se passa. A expressão é muito direta e espontânea, segura e subtil ao mesmo tempo. Antes dos anos 20 a sua obra é dominada em termos temáticos, simbólicos e sentimentais pela morte e também pelo sofrimento que ela experimenta na fome das classes trabalhadoras de Berlim, onde vivia. A morte do filho, da mãe, do pai. Também faz inúmeros auto-retratos o que confirma esse caráter muito psicológico emotivo afetivo e pessoal e intenso da sua poética. A sua poética é o seu ser e corpo.  A partir dos anos 20 a sua obra é muito marcado pela aproximação aos partidos de esquerda e mesmo á União Soviética. É perseguida pelos nazis mas não era judia. Sofreu, mas morreu em casa. Sempre foi para mim um caso à parte na arte destes últimos 150 anos. Livre dos destinos dos modernistas – do formalismo mas também do surrealismo – de quem a sua obra por vezes, o que é natural, revela influências formais que a tradição oitocentista académica não permitia é, acima de tudo um vigoroso e raro grito rouco pela vida diante da morte.



MANUEL DIAS




















“O Ardina” é uma estátua sobre a figura popular, do século passado, que vivia a vender jornais na via pública. No centro da cidade do Porto o Escultor Manuel Dias recriou essa figura com êxito. Com grande êxito! Manuel Dias, 1945- 2018, há dias falecido, foi meu colega na Soares dos Reis, desde os 13 anos e depois nas Belas-Artes, até 1966, ano em que emigrou para as Europas. Voltou após o 25 de Abril e não deixou obra relevante na escultura, que eu saiba, sendo cultor de uma linha experimental, da qual conheço poucas obras, associada aos materiais elementares e suas associações num contexto formalista ou abstrato. Esta obra é completamente estranha a esse percurso e nada há a apontar. Aqui o que nos traz é a força e a fraqueza da obra de arte pública que hoje é do maior encanto e prestígio para o jornalismo do sistema, e o vórtice noticioso e opinativo das redes sociais.  O “ardina” é uma obra naturalista do ano 2000. Isto não é mais estranho do que as obras concetuais que hoje se vêm por aí iguais a outras de 1960. Hoje o tempo e a história tem uma organização que é diferente. É uma representação escultórica com mimetismo gestual e de atitude, dessa figura marginal, esperta e de vidas várias, que a cidade pobre cria. E nós achamos encantadora. Os milhares de turistas que junto a ela se deixam fotografar não a vêm como obra de arte, mas como ícone ou cromo. Nunca foram a um museu nem irão, digo eu para me exprimir. A arte pública hoje é moda desde os grafites, as construções e desconstruções, quase sempre figuras da denotação. Tornam cada vez mais evidente como o lugar da arte é o Museu. Se queremos descobrir e aprofundar a nossa relação, vivência e experiência pessoal com a maior complexidade da mente, dos sentimentos e da delicadeza das emoções, só aí.





WYETH

















N.C. WYETH, 1882-1945, Andrew  WYETH, 1914-2009, Jamie  WYETH, 1946, três gerações de pintores da Pensilvânia e do Maine, Estados onde viveram. Andrew foi o mais apreciado e é dele a aguarela que se mostra, Spool bed, 55x75 cm, 1947. As suas obras apresentam alguns elementos comuns, além de um culto do realismo, muito presente na pintura americana desde sempre, até hoje.  Em N.C., um serviço ilustrativo dos mitos americanos e uma influência romântica, e em Jamie uma tentativa de se aproximar da realidade contemporânea sem uma poética evidente. É em Andrew que se atinge uma qualidade que é clareza, força expressiva, poética e temática. Eles foram acusados pela crítica Nova Yorquina, nos anos 60, de serem ilustradores e ignorarem o modernismo, em especial Picasso. Em 1947, como nos diz Claude Roy, Picasso considerava que o desenho era um processo iniciado na realidade na sua observação e concluído por uma purificação formal dos elementos plásticos que continham em si a essência do gesto artístico plástico. Em dois traços se atingia aquilo que nada podia atingir.  Andrew que é o pintor do séc. XX que dedica toda vida a pintar a solidão do ser individual e a solidão da paisagem e dos lugares em que vivia, não poderia perceber a que se referia Picasso e este deveria achar uma seca criativa esta aguarela. Esta aguarela é uma verdadeira afirmação modernista quanto ao tema. Lugares sem valor e esquecidos. Os elementos plásticos servem a representação da imagem recolhida do real e fazem-no numa delicada exploração de tonalidades expressivas que revelam a ideia de que a pintura é antes de mais uma superfície em que os tons e as cores se jogam entre si. Mas, essencialmente fazem-no ao serviço de uma intencionalidade que não está no quadro nem na pintura mas se serve dela para se nos revelar. Picasso terá compreendido isso? É aqui que continuará a encontrar-se a grande disputa ideológica num tempo em que se diz que a ideologia morreu.


COURBET



















Jean Gustave Courbet, 1819-1877, foi o leader do realismo em pintura, tal como se cultivou na literatura em França e um pouco por toda a Europa. O realismo era para Courbet, acima de tudo, pintar o que se via. Se visse um anjo pintava-o. Mas o realismo esteve sempre, como Courbet, ligado à revolução social. Courbet foi perseguido politicamente e morreu na Suiça.  Pintar o que se vê e o que se vive já o tinham feito os flamengos do séc. XVII, e os venezianos do séc. XVIII. O realismo é a linha de combate artístico contra o classissismo e a pintura histórica. O quadro “o encontro”, ou “ bom jour mr. Courbet”, 1854, foi apresentado no Salão de 1855 e causou grande alarido. Estamos atrás de Courbet e à sua frente ele tem Alfred Bruyas, colecionador de arte que o tinha convidado para o visitar em Montplier. O que é a realidade para Courbet? O espaço da cena é o campo e a paisagem é semelhante às paisagens convencionais da pintura em geral. Meio céu; meio terra. O senhor, o interlocutor, elegante, cordato é acompanhado por um ajudante submisso. Courbet é orgulhoso de si, modesto mas algo arrogante e tem um enorme bordão na mão e às costas o atelier. O cão olha para ele. Ao longe afasta-se a carruagem. Esta cena não a viu ele que dizia que se devia pintar o que se via.
Ele quer dar uns laivos da sociedade francesa a meio do séc. XIX. Porque escolheu um descampado atípico, porque não se encontraram na cidade, numa sala, num jardim? Courbet lança a sua sombra no chão mas os outros dois não, embora estejam quase totalmente expostos ao sol que no chão deixa a marca de uma árvore que não os cobre. Porque foi incongruente em termos realistas. Porque não pintou o que se veria. Ele não era um naturalista. Os temas e as figuras reais era suporte de um discurso ideológico, de uma intencionalidade de denúncia, provocação, que vão ser apanágio de algum  modernismo. A poética a expressão de sentimentos e de conceitos mais complexos ou profundos não eram o seu interesse. Hoje como é ser realista?




 HOLBEIN






















Hans Hobein o Jovem, 1497-1543, Augsburg, é hoje muito conhecido pelos desenhos de retratos de nobres britânicos do séc. XVI. Fez grande parte da sua obra e vida em Londres, onde morreu. Mas nessa altura a sua obra mais celebrada era a Dança da Morte. É uma edição de 41 desenhos sobre temas bíblicos que tratam da morte. A edição em Xilogravuras, realizadas por Hans Lutzelburger, tem as páginas com o aspeto da imagem presente. Um excerto biblico, a imagem e uma quadra motralista alusiva.  É uma sátira aos poderosos, aos novos, aos velhos, aos fortes e fracos. É uma provocação das mentes perante essa imperativa eventualidade muito mais presente nesse tempo que hoje. O medo da morte é uma condição da mente humana que não quer deixar uma vida que julga ter sido criada para seu belo prazer ou que sofrendo nela, como a enorme maioria, a receia, como lugar de castigo, punição e sempre incerto. Esso medo, ou tristeza, ou desilusão mantém -se intocável hoje mas poucos acreditam nos malefícios posteriores a essa morte, mas também na hipótese de venturas. As gravuras, não sabemos se os desenhos, têm 5x6 cm.  As situações céncias são muito diversas. Cenas no exterior com paisagem, como a presente, ou cenas interiores. Duas, três, raramente mais, figuras criam a cena. O desenho é linear, como convinha à técnica nascente de reprodução e edição, é muito detalhado para a dimensão, nas texturas e nos elementos iconográficos como a ampulheta – o tempo – sempre presente, como era culto do desenho renascentista e barroco. Nada vazio. A presença do esqueleto é a invariante em todas elas. Ele, a morte em corpo, vem buscar o humano em causa para o seu destino. Hoje não temos a morte presente, embora as notícias sobre diversas acontecimentos trágicos e doenças terríveis sejam duma fortíssima presença no nosso universo comunicacional. Mas ninguém acha que a morte o vem buscar. Não acharão?


BOSCH





















Jerónimo Bosch, 1450-1516, Holanda, é um dos mais singulares pintores da história da pintura universal. Dele, só se conhecem cerca de 20 pinturas e alguns desenhos. A imagem em cima é uma 25ª parte/porção do painel central do tríptico, com 190x170 cm, que se pode ver no Prado, o Jardim das Delicias. Segundo Gombrich, Bosch é o primeiro grande pintor que ainda dentro do universo imaginário medieval introduz as grandes noções da modernidade renascentista. Uma delas é que o tema embora tradicional – Biblia judaico-cristã –, toda a poética, e uma parte do espírito reside na conceção pessoal do autor. É obra de autor mais do que ilustração do tema. A sujeição ao princÍpio Horaciano de docere e delectare, intruír e distrair, é clara. Obra encomendada pelos senhores de Nassau-Breda de Bruxelas teria sido prenda de casamento. Podemos imaginar o fascínio e a atração que terá provocado em todos os membros da família. Uma atração semelhante à nossa TV! Ver esta obra exige muitas horas e muitas mais para rever cenas atraentes. Não há narrativa, ação, pois não há antes e depois. É a representação de um momento imaginário de uma realidade imaginária, mas com uma enorme carga simbólica e moral. A porção que mostramos, como quase todas as outras, é sobre o extraordinário. Tudo é invulgar, anómalo, estranho e incoerente. O tema geral do painel é a Humanidade antes do dilúvio. Um Paraíso. Como se pode ver nalguns dos humanos, a vida seria calma e tranquila mas um pouco aborrecida. Alguém sonharia mesmo num dilúvio. Mas aí se pode ver a relação amorosa de um branco e de uma preta, de como os pássaros eram tão grandes que poderiam comer os humanos, mas não o faziam.  É o domínio da fantasia que antes era só a fantasia religiosa canónica e passou a ser a fantasia de cada um. 





DYAS





















Dyas, ou Júlio Resende, 1917-2011, deixou-nos uma série de desenhos de humor ou “comics”.  Estão expostos no LUGAR DO DESENHO . Não é habitual os pintores terem na sua carteira obras deste âmbito que é cultivado por personalidadess artísticas com um perfil particular. Júlio Resende tem uma carreira de desenhador de humor ou anedotas que fez nos jornais da cidade do Porto nos anos 40 de reconhecido mérito. Eu, ainda jovem, aguardava, o calendário do Matulinho, no Primeiro de Janeiro.  Mas o que este outro me exige é que eu comprenda, perceba e integre essa particular atividade da mente, do espírito, que usando meios plásticos e meio ortográficos regista imagens de momentos do real ou ideias sobre o real mental ou o real objetual. Os meios gráficos são quase sempre muito elementares e esquematizantes. Anunciam só a forma, a figura ou o figurante. A escrita é curta, seca e não descritiva, mas insinuante, metafórica ou provocatória.  Enquanto que numa pintura os fatores estéticos e simbólicos exigem demorada apreciação para se revelarem em todas as suas possibilidades, nos desenhos cómicos o que há para ver e compreender é instantâneo, ou ele falha. A mente que trabalha este processo, que encontra a necessidade e o prazer em o concretizar, sempre foi para mim estranha ou enigmática, embora eu por vezes encontre no real esse ridículo, absurdo, jucoso, miserável, infeliz…, que são a base da comicidade que tanto apreciamos e necessitamos. Como em Resende se escondia, durante tantos períodos de trabalho empenhado numa estética e numa simbólica da pintura, esse bicho sempre sedento de gozar com o mal e o disparate alheio? E na exposição algumas vezes, além de sorrir, me ri. Ele escreveu um pequeno texto sobre esse outro menino em si, mas não me chegou…!










DESENHOS no iPad
Nova série de desenhos há tempos experimentada e em desenvolvimento pois dá algum gozo.
Tem um Tema. Um Medo


















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AGUARELAS 
A partir dos DESENHOS SEM PENSAR



acompanhamento


























esperado esperando
























inexplicado aceitável































. AGUARELAS AO BAIXO

Reposição e revelação de imagens da série
Cenas em frente ao mar 































NOVAS PINTURAS A ÓLEO

óleo sobre tela 140x110 cm













óleo sobre madeira . 60x40cm



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 . PINTURAS no iPAD






















































PINTURAS NO iPad
- imagens a Sul 2015





























. NOVAS PINTURAS NO iPad








 











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