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pintovieiradesenho

pintovieiradesenho

segunda-feira, 29 de agosto de 2016


Este blog destina-se a divulgar 
as obras de artes plásticas 
que fui realizando desde 1965 
- mostradas em parte 
nas imagens das "páginas".  
Também noutras "páginas" 
se encontram textos diversos 
que entretanto fui produzindo.

Nesta página, "mensagens", aparecerão textos do momento, em secções próprias, imagens de obras recentes, notícias e, também, textos mais longos e curtos que tenham sido produzidos recentemente e que se justifique a sua divulgação no momento.

joaquimpintovieira1@hotmail.com

OS OUTROS BLOGS QUE EDITO SÃO 
http://drawingdesenhodibujo.blogspot.com
http://pintovieiraensinodesenho.blogspot.com
http://pintovieirapupila.blogspot.com
http://atalhadoagostinho.blogspot.com

BLOGS DE AMIGOS














Mensagens da quinzena


De 9 de JULHO 
a 6 de AGOSTO de 2018



Textos e obras disponíveis nesta página.
Nas outras páginas estão as imagens e textos aqui publicados e não publicados.




LISTA DE PUBLICAÇÕES RECENTES em AZUL



 . ESQUÍROLAS DO DESENHO

. PINDUAS

. DESENHOS SEM PENSAR



.  O OUTRO


.  O OUTRO

. DUAS FIGURAS TIPICAS falam sobre                
   a Exposição DESENHOS A5

.  AGUARELAS
 
 . NOVAS PINTURAS A ÓLEO

 .  PINDUAS/PINDOIS
    Pequenas pinturas em madeira

. DESENHOS NO iPad
  
. UMA IMAGEM E 
  QUASE MIL PALAVRAS 

. EXPOSIÇÃO FAUP . Projeto RISCOTUDO
  DESENHO setorna PINTURA 
  10 montagens de aguarelas e desenhos



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ESQUÍROLAS 
DO DESENHO

São pequenas partículas que saltam desse  
osso enorme e difuso que se pode chamar de, Desenho;
e daquilo que o envolve. Surgem do nada e a propósito de tudo.

Muitas das anteriormente publicadas podem ser vistas na PÁGINA ESQUÍROLAS DO DESENHO, ou mais à frente.




Esquírola cento e oitenta e seis

“O homem quer viver porque acredita que é infinito”. Acredita que aquilo pelo que luta na vida tem um destino que é infinito. Foi ele que criou os conceitos e a ideia como o fez com Deus, que é o mesmo embora se possa dizer, que Deus fica logo a seguir ao infinito. Por isso espera quando lá chegar ter feito tudo o que há fazer para quando lá chegar não fazer mais nada.  Isto não é blague porque a coisa é seria para a maior maioria de nós. Hoje e desde que começou a pensar que era assim não mais parou de conseguir aguentar outra alternativa para a sua vida ter sentido. A mente humana é diferente da dos animais e plantas por isto. Não são infelizes por não terem infinito à espera, mas ficam tristes com os maus tratos do dono ou a falta de água. Porque é que a mente humana não aceita com naturalidade o que é natural para os outros seres? Porque é que é mais importante o vir a ser do que ser? Porque é que o futuro, mesmo pensado, não pode ser a esperança de que será igual ao dia de hoje? Que direito tem o homem de se interrogar sobre o seu futuro se será sempre o desconhecido. O desconhecido não pode ser conhecido, só experimentado e assim deixar de o ser. Porque não chega acompanhar o ritmo da natureza dos astros e dos eletrões e estar disposto a aproveitar as possibilidades de mudança que a consciência, sem desejo de infinito, pode incluir na sua constituição e enriquecimento que o inconsciente lhe fornece. Ou a consciência surgiu por causa desse conceito de infinito como impossibilidade demiúrgica? Ou a consciência é o que dá a descoberta do outro? A consciência do outro que tanto está connosco, como já esteve, e vai estar mesmo depois de nós. Mais do que infinito espero continuidade. A minha mente não conseguiu, como todas as outras nos últimos milhares da anos conhecer-se. Mas conhece-se melhor.




Esquírola cento e oitenta e cinco



Seria útil, esclarecedor, conveniente, interessante saber se a Arte e o Divertimento estão ou devem estar juntos, conjuntos ou separados?  Nada do que se diz ou faz no divertimento, no entretenimento, tem um valor particular; tudo é exteriorização, Tudo o que se faz na arte tem um valor particular; tudo é interiorização. Nos jogos, desportos, festas, parques de diversão ou se procura o esquecimento do eu ou se procura o encontro com o grande grupo.  Nos museus ou centros de arte não se pode procurar ou encontrar isso também pois seria mais do mesmo. Pode parecer radical mas ajuda a compreender. Hoje os CACs são dominados pelo espírito do divertimento. São dominados por estratégias e táticas de marketing para suportar despesas descontroladas. Visitas a museus só para quem vai nu, com cães, mascarado, etc. ou visitas a museus condicionadas por programas de guias. Tudo para evitar o confronto pessoal consigo através da obra. Se pensamos num museu de arte, ou qualquer outro há 70 anos, recordamos que era um local de silêncio, contemplação e serenidade, onde não se podia tocar nas obras que se encontravam afastadas do observador. Era observador, não participante. O divertimento ou entretenimento sempre existiu e é, por natureza, público, aberto e interativo. Parques de diversões, espetáculos, etc. Aí pelos anos 60 alguns artistas começaram a fazer obras que implicavam, solicitavam, estimulavam a participação do público. Uma sociedade aberta sem barreiras e sem limites sem condicionamentos. As obras eram abertas.  E podiam ser manipuladas e os locais de exposição passaram a ser lugares ruidosos, agitados, etc. Desejava-se dessacralizar a arte, tirá-la da redoma e do domínio de uma elite e de um público restrito e bem pensante.  Muitas obras nos CACs  estão mais perto da diversão, do passatempo do que da arte. Não escapa à primeira vista que a forma como os visitantes se relacionam com as obras no Museu Nacional de Arte Antiga ou nas exposições de Serralves, é completamente diferente.  Dizer que muitas dessas obras divertidas podem ser interpretadas numa dimensão artística também pode ser dito para quase tudo que não sirva para nada. Na literatura como na música estão “separadas”. Ir a um concerto rock ou a um concerto de Vivaldi, ou ler o Guardador de Rebanhos e ler o superhomem não fazem o mesmo ao espírito.  Mas fica de pé a questão, o tipo de questão que este tempo tem dificuldade em integrar, ou debater, ou inquirir. Perde-se ou ganha-se em que os locais estejam em estado de fusão? Quando os limites deixam de existir ou a caraterização (dar caráter) não é importante ou necessária. O que esperamos vir a encontrar mais à frente ou o que nos satisfaz agora?



PINDUAS/PINDOIS   Pinturas em duas faces e dois tempos


Projeto de pintura em pequena dimensão, em objetos ou superfícies anexas ou contíguas. Como as superfícies ou planos da pintura e da imagem são normalmente opostas quando de vê uma delas não se vê a outra. As superfícies podem ser em número superior e dar origem a situações de desenvolvimento temático ou semântico mais complexo. A exploração da condicionante temporal da apreensão e observação das imagens é o vetor mais importante do projeto pois deve permitir criar inusitadas situações expressivas.

Os objetos são em madeira de diversas árvores e as superfícies são preparadas com colas, tecidos e papeis.  São pintadas em acrílico, esmalte sintético e óleo de água. Também se utilizam pigmentos diversos, purpurinas e folha de ouro.

As dimensões e formatos variam com o tipo de cortes nos troncos das árvores. O clip
presente nas imagens dá a sua dimensão.




 conjunto de 3 novas peças.
































































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DESENHOS SEM PENSAR
mostrados e apresentados sistemáticamente no blog drawingdibujodesenho.
Aqui alguns desenhos recentes entre os realizados diariamente.


04.07.18




















17.06.18






















08.06.18




















23.05.18




















11.05.18

























O OUTRO
  
Nesta série de pequenas crónicas pretendo verter o que me vai na mente sobre experiências com as obras de alguns contemporâneos, conterrâneos e outros. Serei breve mas intenso quanto possa. É só um pequeno contributo para evitar o silêncio. O outros textos podem ser vistos na Página própria.



COURBET



















Jean Gustave Courbet, 1819-1877, foi o leader do realismo em pintura, tal como se cultivou na literatura em França e um pouco por toda a Europa. O realismo era para Courbet, acima de tudo, pintar o que se via. Se visse um anjo pintava-o. Mas o realismo esteve sempre, como Courbet, ligado à revolução social. Courbet foi perseguido politicamente e morreu na Suiça.  Pintar o que se vê e o que se vive já o tinham feito os flamengos do séc. XVII, e os venezianos do séc. XVIII. O realismo é a linha de combate artístico contra o classissismo e a pintura histórica. O quadro “o encontro”, ou “ bom jour mr. Courbet”, 1854, foi apresentado no Salão de 1855 e causou grande alarido. Estamos atrás de Courbet e à sua frente ele tem Alfred Bruyas, colecionador de arte que o tinha convidado para o visitar em Montplier. O que é a realidade para Courbet? O espaço da cena é o campo e a paisagem é semelhante às paisagens convencionais da pintura em geral. Meio céu; meio terra. O senhor, o interlocutor, elegante, cordato é acompanhado por um ajudante submisso. Courbet é orgulhoso de si, modesto mas algo arrogante e tem um enorme bordão na mão e às costas o atelier. O cão olha para ele. Ao longe afasta-se a carruagem. Esta cena não a viu ele que dizia que se devia pintar o que se via.
Ele quer dar uns laivos da sociedade francesa a meio do séc. XIX. Porque escolheu um descampado atípico, porque não se encontraram na cidade, numa sala, num jardim? Courbet lança a sua sombra no chão mas os outros dois não, embora estejam quase totalmente expostos ao sol que no chão deixa a marca de uma árvore que não os cobre. Porque foi incongruente em termos realistas. Porque não pintou o que se veria. Ele não era um naturalista. Os temas e as figuras reais era suporte de um discurso ideológico, de uma intencionalidade de denúncia, provocação, que vão ser apanágio de algum  modernismo. A poética a expressão de sentimentos e de conceitos mais complexos ou profundos não eram o seu interesse. Hoje como é ser realista?




PINDUAS/PINDOIS   Pinturas em duas faces e dois tempos


Projeto de pintura em pequena dimensão, em objetos ou superfícies anexas ou contíguas. Como as superfícies ou planos da pintura e da imagem são normalmente opostas quando de vê uma delas não se vê a outra. As superfícies podem ser em número superior e dar origem a situações de desenvolvimento temático ou semântico mais complexo. A exploração da condicionante temporal da apreensão e observação das imagens é o vetor mais importante do projeto pois deve permitir criar inusitadas situações expressivas.

Os objetos são em madeira de diversas árvores e as superfícies são preparadas com colas, tecidos e papeis.  São pintadas em acrílico, esmalte sintético e óleo de água. Também se utilizam pigmentos diversos, purpurinas e folha de ouro.

As dimensões e formatos variam com o tipo de cortes nos troncos das árvores. O clip
presente nas imagens dá a sua dimensão.




 conjunto de 3 novas peças.


























































DESENHOS SEM PENSAR
mostrados e apresentados sistemáticamente no blog drawingdibujodesenho.
Aqui alguns desenhos recentes entre os realizados diariamente.


17.06.18






















08.06.18




















23.05.18




















11.05.18

























25.05.18


































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O OUTRO
  
Nesta série de pequenas crónicas pretendo verter o que me vai na mente sobre experiências com as obras de alguns contemporâneos, conterrâneos e outros. Serei breve mas intenso quanto possa. É só um pequeno contributo para evitar o silêncio. O outros textos podem ser vistos na Página própria.



 HOLBEIN






















Hans Hobein o Jovem, 1497-1543, Augsburg, é hoje muito conhecido pelos desenhos de retratos de nobres britânicos do séc. XVI. Fez grande parte da sua obra e vida em Londres, onde morreu. Mas nessa altura a sua obra mais celebrada era a Dança da Morte. É uma edição de 41 desenhos sobre temas bíblicos que tratam da morte. A edição em Xilogravuras, realizadas por Hans Lutzelburger, tem as páginas com o aspeto da imagem presente. Um excerto biblico, a imagem e uma quadra motralista alusiva.  É uma sátira aos poderosos, aos novos, aos velhos, aos fortes e fracos. É uma provocação das mentes perante essa imperativa eventualidade muito mais presente nesse tempo que hoje. O medo da morte é uma condição da mente humana que não quer deixar uma vida que julga ter sido criada para seu belo prazer ou que sofrendo nela, como a enorme maioria, a receia, como lugar de castigo, punição e sempre incerto. Esso medo, ou tristeza, ou desilusão mantém -se intocável hoje mas poucos acreditam nos malefícios posteriores a essa morte, mas também na hipótese de venturas. As gravuras, não sabemos se os desenhos, têm 5x6 cm.  As situações céncias são muito diversas. Cenas no exterior com paisagem, como a presente, ou cenas interiores. Duas, três, raramente mais, figuras criam a cena. O desenho é linear, como convinha à técnica nascente de reprodução e edição, é muito detalhado para a dimensão, nas texturas e nos elementos iconográficos como a ampulheta – o tempo – sempre presente, como era culto do desenho renascentista e barroco. Nada vazio. A presença do esqueleto é a invariante em todas elas. Ele, a morte em corpo, vem buscar o humano em causa para o seu destino. Hoje não temos a morte presente, embora as notícias sobre diversas acontecimentos trágicos e doenças terríveis sejam duma fortíssima presença no nosso universo comunicacional. Mas ninguém acha que a morte o vem buscar. Não acharão?








DESENHOS no iPad
Nova série de desenhos há tempos experimentada e em desenvolvimento pois dá algum gozo.
Tem um Tema. Um Medo






















ESQUÍROLAS 
DO DESENHO

São pequenas partículas que saltam desse  
osso enorme e difuso que se pode chamar de, Desenho;
e daquilo que o envolve. Surgem do nada e a propósito de tudo.

Muitas das anteriormente publicadas podem ser vistas na PÁGINA ESQUÍROLAS DO DESENHO, ou mais à frente.



Esquírola cento e oitenta e quatro

O herói existe porque faz o que não é provável.  O génio faz parte do herói. Há heróis no Desenho ou génios?  Cristiano Ronaldo, aquele que virá a ser uma lenda do futebol, acumula as duas condições. No último jogo contra a Espanha, Portugal empatou porque Ronaldo, em três momentos, não mais, fez golo. A haver vencedor seria a Espanha; melhor jogo, mais oportunidades de marcar. Quer dizer todos os aspetos ou fatores que fazem com que o que é provável se concretize estavam presentes. Mas do outro lado estava presente a possibilidade, nunca previsível, de se concretizar qualquer ação. Foi um raríssimo momento esse de se viverem “em direto”, esses brevíssimos instantes, que hoje o vídeo transformou em atos repetitivos e depois rotineiros. Mas eles, de fato, para Ronaldo, que os concretizou, duraram aqueles breves instantes da ação e da vida. O herói é uma figura mental mítica ou transcendente por realizar essas possibilidades que o grupo clama, sonha, aspira, anseia, intui e ignora.  Os espanhóis e os portugueses têm uma história de disputas e combates que são também improváveis ou únicos na relação entre povos. Mas essa é outra história em que Ronaldo, herói dos dois povos, participa mas não é para aqui chamada.  Há dias Ronaldo nos momentos capitais que ele também originou, poderiam ter  sido outros jogadores, incorporou um querer ser. Agora ou nunca e para sempre. No desenho defrontamos estes momentos? O desenho pode corporizar esse querer coletivo, de grupo? Ou de exigência e determinação absoluta? Podemos apontar esses casos na nossa cultura artística nacional, mas mais do que isso, europeia, por ex, ou mesmo mundial? Essa corporização ou materialização do ato de total singularidade, improbabilidade e exigência? Ou está vedada à arte essa possibilidade existencial e ontológica do ser. Não há nada de artístico num jogo, sabemos bem. Só vencer e derrotar.
 Esquirola cento e oitenta e três

Podemos ter uma opinião, mesmo um juízo ético sobre a função da crítica, do estudo, da promoção/proteção da obra de arte e do artista.  O que pode pretender essa atividade fruítiva e inteletual  que muitas vezes se confunde com política e proteção de tem mais a ver com moral do que com ética, que é aquilo que pouco tem a a ver com a vida de cada um e tudo a ver com a vida de todos nós? O juízo que podemos formar é de que não há nestes tempos uma função crítica éticamente aceitável mas arranjos de programas morais.  Devemos tolerar o que é reprovável?  Se há cinquenta anos  a ação da crítica era socialmente mais comprometida,  ideologicamente, e por vezes doutrinaria e partidária era ética e também assente numa paradigmática disciplinar que exigia domínios reconhecidos. Hoje não é assim, nem sabemos o que é, se há.  O que vemos é, tudo orientado pela irresponsabilidade e pelo horizonte do grupo de interesses e a realidade a isso se circunscreve. Não há escrutínio, nem conflito aberto,  inquietação e curiosidade pelo desconhecido, ou pelo escondido. Promove-se o que tem valor consagrado, que se conhece, que se sabe ser um “valor seguro, histórico”. Mas o juízo sobre o que vale a pena em arte só pode ser feito depois de mortos os artistas e todos os amigos. Só os vindouros por necessidade e encanto o farão. A história moderna está cheia de casos.  Então nós só podemos dedicar-nos a descobrir autores perdidos, obras ignoradas, espólios mal apreciados, sejam de novos ou velhos autores. Porque isso é o amor pela arte. É isso o amor; dedicação desinteressada e plena. Fazê-lo sem compromissos e sem dependências, com muito rigor, exigência e critérios, no plural, porque a realidade é demasiado complexa como modelo. Isto é, livremente. Esta palavra é muito associada à criação mas é a exigência básica da mente espiritual. É pouco usada para a promoção. Não há crença no conjunto rebanho, só há atenção às ovelhas mais vistosas e gordas. Todos escrevem sobre o que está consagrado, porque se vende e pouco sobre o que não está, ou pode ser perigoso e tempo perdido. Não vir a ter êxito. Mas só revelando o  que está escondido, ignorado, mas apreciável se cumpre a função ética. A função moral é para os consagrados ou familiares.





O OUTRO
  
Nesta série de pequenas crónicas pretendo verter o que me vai na mente sobre experiências com as obras de alguns contemporâneos, conterrâneos e outros. Serei breve mas intenso quanto possa. É só um pequeno contributo para evitar o silêncio. O outros textos podem ser vistos na Página própria.



GUJRAL
























Satish Gujral, 1925, Índia, é um dos mais destacados pintores Indianos vivos, país vastíssimo e com um cultura artística habitualmente considerada “out”. É também escultor e arquiteto. Gujral formou-se numa escola oficial de Belas Artes sobre o protetorado britânico e fez uma aprendizagem, nos anos 50, no México, com Rivera e Síqueiros e que perdurou na sua obra, feita quase em exclusivo na Índia. A imagem de uma das suas obras e de si próprio é exemplar. Como é habitual as viagens sem nexo pela NET dão muitas saídas e entradas. A sua obra é para mim muito insólita, tanto estética como tematicamente. É pintura em acrílico sobre tela com preparação de textura especial. As peças rondam os 100x100cm. Mas tem muita força expressiva e uma misteriosidade que vem duma relação entre uma figura, um pouco andrógina e um ou mais objetos. O recurso a imagens da cultura icónica indiana é também evidente. A composição é quase plana e representa imagens como se fossem baixos relevos. A influência do abstracionismo na cor e na composição do plano é muito modernista e essa ligação frequente ao objeto quotidiano também o é.  Surgem também induções surrealistas pelo insólito, anómalo e excêntrico. Mas parece em muitas obras haver, no fundo, uma relação com a realidade da vida quotidiana, do dia a dia do indiano, na sua casa, rua, lugar. Como se sabe podem ver-se na NET muitas obras mais recentes, mas dada a sua idade deve ter uma obra vasta e diversa. Mais um outro que passa a estar em mim.











PINDUAS/PINDOIS   Pinturas em duas faces e dois tempos


Projeto de pintura em pequena dimensão, em objetos ou superfícies anexas ou contíguas. Como as superfícies ou planos da pintura e da imagem são normalmente opostas quando de vê uma delas não se vê a outra. As superfícies podem ser em número superior e dar origem a situações de desenvolvimento temático ou semântico mais complexo. A exploração da condicionante temporal da apreensão e observação das imagens é o vetor mais importante do projeto pois deve permitir criar inusitadas situações expressivas.

Os objetos são em madeira de diversas árvores e as superfícies são preparadas com colas, tecidos e papeis.  São pintadas em acrílico, esmalte sintético e óleo de água. Também se utilizam pigmentos diversos, purpurinas e folha de ouro.

As dimensões e formatos variam com o tipo de cortes nos troncos das árvores. O clip
presente nas imagens dá a sua dimensão.




 conjunto de 3 novas peças.









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PROCESSO
Com as PINDUAS concretizei uma intenção, há alguns anos muito vaga, de fazer uns objetos em madeira pintada. Nunca saí de algumas experiências sem avanços. Há um ano, sem saber porquê, recomecei o processo por acaso ao encontrar uns restos de madeiras que me chamaram.  Falo disto porque depois de ter realizado muitas dezenas de peças decidi partilhar com outros as singularidades do processo. Nunca fiz nada semelhante, isto é, nunca avancei na produção de obra assim. As peças passam por três etapas completamente distintas. Primeira etapa: secciono troncos de árvores de diversas espécies, já existentes, numa serra de fita, seguindo, mais do que intenções, estímulos que a forma dos troncos me apresenta como cortes interessantes. Tenho já alguma ciência sobre madeira e sobre as suas propriedades resistentes e estruturais. O tipo de seccionamento é decisivo e pode ser feito de diversas maneiras. Escolho uma em vez de outras por decisão do momento diante da serra.  Segunda etapa: as peças são observadas e agrupadas pelas suas caraterísticas de tamanho, natureza formal estrutural e compositiva.  Em seguida são tratadas as superfícies com esmaltes sintéticos, acrílicos ou cobertas com telas, papeis e tecidos criando condições plásticas para cada peça, segundo estímulos que ela me dá. Inicia-se então a pintura das superfícies com elementos plásticos e técnicos distintos, ou pertencentes a certos conjuntos que se vão formando. Terceira etapa: esses objetos que têm uma condição ou caráter exclusivamente estética. Serão o suporte de uma dimensão simbólica que se concretiza com a composição nas diversas faces de figuras ou formas estabelecendo entre si conexões significantes. A composição quer no que respeita à organização de espaço, quer no que respeita ao sentido das imagens e ao significados latentes é desenvolvida muito circunstancialmente segundo chamamentos das peças. Essa fase é decisiva porque contém o fim em si da obra, que não sei qual é, pois vivo uma semântica aberta. Embora haja uma disposição temática algo consciente as deliberações seguem condicionamentos poéticos e atrações icónicas inconscientes. Essas imagens têm origem em desenhos livres e espontâneos executados a pincel sobre as superfícies ou têm origem num arquivo pessoal de imagens em papel e digital, ou na NET. Neste caso o escrutínio ou decisão sobre a imagem a utilizar ou é o resultado de uma procura longa ou por vezes de um achado instantâneo. A obra concluída é o resultado de um processo, não digo complexo, mas demorado e com articulação circunstancial, pois nunca tenho um projeto inicial. A obra final é sempre uma surpresa e muitas vezes feliz. Isto é o mais importante e estimulante para mim. Encontrar com prazer. Não há pesquisa, investigação, projeto…


ESQUÍROLAS 
DO DESENHO

São pequenas partículas que saltam desse  
osso enorme e difuso que se pode chamar de, Desenho;
e daquilo que o envolve. Surgem do nada e a propósito de tudo.

Muitas das anteriormente publicadas podem ser vistas na Página PEQUENOS TEXTOS NO BLOG



Esquirola cento e oitenta e dois

A religião, a política, o desporto separam os homens.  Procuram o poder, a autoridade, o domínio, o êxito. Só a ciência e a arte não o fazem. A arte não busca o conhecimento racional. A arte existe quando a consciência de cada um encontra a vida espiritual.  A arte não pretende dar prazer, dizia Horácio que devia instruir e deleitar. O Prazer é uma questão tratada pelo corpo e pelas emoções de diversos órgãos viscerais.  O espírito trata da compreensão do sentido da vida, da existência humana e da sua relação com tudo o que rodeia ou envolve o ser. O ser humano atingiu essa possibilidade, já existente no cosmos e que assim a queremos entender por inexplicável. No olhar duma criança, que ainda mal segura o peso da sua cabeça, o que se me dirige é essa energia essa ligação que ainda não se consciencializou, e poderá nunca o fazer. A Mente criada pelo corpo e gerida pelo órgão cerebral é um produto da natureza na sua permanente e infinita capacidade de evoluir. Nada sabemos sobre esse processo de formação da consciência humana ou cósmica. Sabemos que a energia ou a luz e as propriedades das partículas atómicas essenciais, indeterminadamente, é que dão origem a esse sentido. Muito desse poder está em nós como está espalhado por toda a parte, em todos os seres, objetos, coisas e gases e líquidos. A espírito não se acede subindo a uma montanha ou num sítio específico. O espírito ou está em nós ou não está. Mas para esse aceder a ele, coisa que é exclusivamente da esfera pessoal, só uma clara consciência de que nada se é. Só a libertação dos poderes que acima se referem nos podem ajudar. A mente que desperta do inconsciente cuja consciência assim se constrói livremente. Desenhar só para tentar experimentar isso. O desenho que serve aquelas funções ideológicas e doutrinais é ilustração e comunicação.  O verdadeiro desenho deve levar ao encontro da criação do início e do fim do sentido da existência como realidade exclusivamente individual.



Esquírola cento e oitenta e um



O nosso sentido mais elevado ou valorizado para a condição humana é a realização projetual. Querer vir a ser, em vez de ser. Mas isso não é tudo bom e pode ser mesmo o caminho da frustração, e da desgraça. Sempre defendi e compreendi que o Desenho e o Projeto são o resultado de orientações muito diferentes – podia dizer opostas– de experiência sobre a realidade. A realidade é para a mente humana, que a cria, o alfobre, o viveiro de problemas. Ali estão pequeninos e nem se notam e de repente por vezes ocupam toda a nossa mente e as mentes daqueles com quem vivemos. Os problemas para curtas mentes devem ser resolvidos e respondidos. Para outras existem para ser entendidos. Podem neste caso nem ser realmente problema e nos outros casos serem de tão complexa solução que esta é mal escolhida e provoca o desastre. A história humana fala mais disso do que do contrário.  Hoje no tempo da pós-modernidade tudo é ideia e sensação fugidia. Ninguém para a ver obras nos CACS, por exemplo. Uma ideia, de fato, vê-se logo, como na “fonte”. Não há nada para ver. Só para pensar.  Duchamp era coerente e para ele a visualidade não tinha interesse. Esta questão da visualidade é central. Trata-se de fato de Perceção que é a base da nossa cognição e também da nossa emoção. Perceção não é só visual. E a perceção que é a base da observação implica dominar complexos processos de apreensão e de conscencialização do real. E o real são as coisas da natureza assim como os desenhos. Esses processos só existem se o Eu e o consciente se abandonarem a si mesmos. Atender o vazio. E isto é muito estranho à necessidade de desejo do projeto e de investigação.  Mas é algo que o desenho, se entendido como tal, isto é, amor e desinteresse, pode oferecer ou permitir. Tal como os músicos bem sabem e nos dizem repetidamente, só depois de ouvirem a obra muitas vezes ela se revela. Nós só veremos uma pintura ou um desenho revelar-se se os virmos muitas vezes. Mas ver com a mente vazia.  Sem apriorismos ou condições. Só assim há verdadeira compreensão ou descoberta do real.



Esquírola cento e oitenta


Há hoje alguma controvérsia séria no espaço da pintura que se possa reconhecer? Ainda será a da abstração versus representação, que ainda vivi intensamente nos anos 60 e 70? Será a da conceção da obra romântica contra a clássica? Será o da origem da imagem com base no real concreto ou no real digital? Será entre a imagem do real e a imagem da mente? Será  a prevalência do fator estético sobre ao fator simbólico, na afirmação expressiva da obra? Será a da função social entendida como oposição do abstrato/decorativo contra o objeto ideológico? Será como suprema afirmação da liberdade poética da mente material sobre o visual imaterial  da mente volátil? Será a oposição entre os defensores da pintura como reduto absoluto do humano expressivo, contra o relativo algoritmo expressivo da máquina? Será, enfim, o conflito entre a pintura que surge e serve a ideia, da pintura que serve a perceção – que serve a mente ou o corpo? Não me ocorrem outras perguntas mas elas bailam com mais ou menos clareza nas nossas mentes. Algumas foram respondidas por alguns de nós. Mas no essencial podemos pensar que elas estão sempre presentes quando nos dá a vontade da pintura. Mas a questão inicial pretende-se com uma ordem ou por uma consciência crítica estética e ética. O debate dos anos iniciais do século xx e depois retomado noutros períodos deste século, nem sempre foram instrumentos de criação dos artistas. Mesmo no Renascimento Italiano alargado, um período duma enorme produtividade e duma constante renovação criativa, que o mercado mecenato induzia, em que assentava as suas escolhas e orientação e princípios? Ninguém tinha ideia de nada nem do seu oposto? Os artistas são induzidos por padrões formais e icónicos automáticos e inconscientes? As coisas foram acontecendo e sendo, só como agora nos dá jeito vê-las, ou foram diferentes?

 Esquírola cento e setenta e nove



A obra é feita pelo observador? Marcel Duchamp dizia que, são os observadores que fazem os quadros. A Obra Aberta de Eco, vai no mesmo sentido. A filosofia pós-modernista cultiva-o. Mas será isto verdade, útil, eficaz, conveniente, oportuno?  Se quando observo uma pintura, ou qualquer outra coisa, eu anteponho a minha conceção das coisas, os meus valores estarei a impedir-me de conhecer o outro. Qualquer possibilidade de haver alteração no nosso ser, que lhe seja propícia e vantajosa, só pode ser feita em completa liberdade mental. Liberdade mental implica recusar o aprendido, o sabido. Escutar o outro, ou a natureza, ou um objeto é uma atividade básica para que se possa aceder a qualquer coisa que chamemos meditar. Meditar é palavra difícil de compreender. Mas se aceitarmos a palavra conhecimento também não ficamos melhor. Discernimento e não condenação podem ajudar. Só na total ausência de preconceito sobre o outro podemos descobrir, não só o que está no outro, mas o que está em nós. Nós vemos uma obra de acordo com as nossas tendências particulares, nosso saber e idiossincrasia provocando inevitavelmente a perda de quase tudo aquilo que o autor deseja transmitir.  Devemos ver sem o controle da mente consciente e deixarmo-nos levar pela obra e esperar que ela se revela sem que haja da nossa parte, vontade, sentido crítico, análise e juízo. Hoje no tempo da pós-modernidade tudo é ideia e sensação fugidia. Ninguém pára a ver obras nos CACS. Uma ideia, de fato, vê-se logo, como na “fonte”. Não há nada para ver. Duchamp era coerente e para ele a visualidade não tinha interesse. Esta questão da visualidade é central. Trata- se, de fato, de Perceção que é a base da nossa cognição e também da nossa emoção. Perceção não só visual. E a perceção que é a base da observação implica dominar complexos processos de apreensão e de conscencialização do real. Tal como os músicos bem sabem, e nos dizem, só depois de ouvirem a obra muitas vezes ela se revela. Nós só vemos uma pintura revelar-se se a virmos muitas vezes. Isto não diz nada a uma concetualista que deseja, acima de tudo, o já e o novo, já. Tudo para esquecer. Quem fez a obra foi o Outro.











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O OUTRO
  
Nesta série de pequenas crónicas pretendo verter o que me vai na mente sobre experiências com as obras de alguns contemporâneos, conterrâneos e outros. Serei breve mas intenso quanto possa. É só um pequeno contributo para evitar o silêncio. O outros textos podem ser vistos na Página própria.



GUJRAL
























Satish Gujral, 1925, Índia, é um dos mais destacados pintores Indianos vivos, país vastíssimo e com um cultura artística habitualmente considerada “out”. É também escultor e arquiteto. Gujral formou-se numa escola oficial de Belas Artes sobre o protetorado britânico e fez uma aprendizagem, nos anos 50, no México, com Rivera e Síqueiros e que perdurou na sua obra, feita quase em exclusivo na Índia. A imagem de uma das suas obras e de si próprio é exemplar. Como é habitual as viagens sem nexo pela NET dão muitas saídas e entradas. A sua obra é para mim muito insólita, tanto estética como tematicamente. É pintura em acrílico sobre tela com preparação de textura especial. As peças rondam os 100x100cm. Mas tem muita força expressiva e uma misteriosidade que vem duma relação entre uma figura, um pouco andrógina e um ou mais objetos. O recurso a imagens da cultura icónica indiana é também evidente. A composição é quase plana e representa imagens como se fossem baixos relevos. A influência do abstracionismo na cor e na composição do plano é muito modernista e essa ligação frequente ao objeto quotidiano também o é.  Surgem também induções surrealistas pelo insólito, anómalo e excêntrico. Mas parece em muitas obras haver, no fundo, uma relação com a realidade da vida quotidiana, do dia a dia do indiano, na sua casa, rua, lugar. Como se sabe podem ver-se na NET muitas obras mais recentes, mas dada a sua idade deve ter uma obra vasta e diversa. Mais um outro que passa a estar em mim.


















BOSCH





















Jerónimo Bosch, 1450-1516, Holanda, é um dos mais singulares pintores da história da pintura universal. Dele, só se conhecem cerca de 20 pinturas e alguns desenhos. A imagem em cima é uma 25ª parte/porção do painel central do tríptico, com 190x170 cm, que se pode ver no Prado, o Jardim das Delicias. Segundo Gombrich, Bosch é o primeiro grande pintor que ainda dentro do universo imaginário medieval introduz as grandes noções da modernidade renascentista. Uma delas é que o tema embora tradicional – Biblia judaico-cristã –, toda a poética, e uma parte do espírito reside na conceção pessoal do autor. É obra de autor mais do que ilustração do tema. A sujeição ao princÍpio Horaciano de docere e delectare, intruír e distrair, é clara. Obra encomendada pelos senhores de Nassau-Breda de Bruxelas teria sido prenda de casamento. Podemos imaginar o fascínio e a atração que terá provocado em todos os membros da família. Uma atração semelhante à nossa TV! Ver esta obra exige muitas horas e muitas mais para rever cenas atraentes. Não há narrativa, ação, pois não há antes e depois. É a representação de um momento imaginário de uma realidade imaginária, mas com uma enorme carga simbólica e moral. A porção que mostramos, como quase todas as outras, é sobre o extraordinário. Tudo é invulgar, anómalo, estranho e incoerente. O tema geral do painel é a Humanidade antes do dilúvio. Um Paraíso. Como se pode ver nalguns dos humanos, a vida seria calma e tranquila mas um pouco aborrecida. Alguém sonharia mesmo num dilúvio. Mas aí se pode ver a relação amorosa de um branco e de uma preta, de como os pássaros eram tão grandes que poderiam comer os humanos, mas não o faziam.  É o domínio da fantasia que antes era só a fantasia religiosa canónica e passou a ser a fantasia de cada um. 












DYAS


























Dyas, ou Júlio Resende, 1917-2011, deixou-nos uma série de desenhos de humor ou “comics”.  Estão expostos no LUGAR DO DESENHO . Não é habitual os pintores terem na sua carteira obras deste âmbito que é cultivado por personalidadess artísticas com um perfil particular. Júlio Resende tem uma carreira de desenhador de humor ou anedotas que fez nos jornais da cidade do Porto nos anos 40 de reconhecido mérito. Eu, ainda jovem, aguardava, o calendário do Matulinho, no Primeiro de Janeiro.  Mas o que este outro me exige é que eu comprenda, perceba e integre essa particular atividade da mente, do espírito, que usando meios plásticos e meio ortográficos regista imagens de momentos do real ou ideias sobre o real mental ou o real objetual. Os meios gráficos são quase sempre muito elementares e esquematizantes. Anunciam só a forma, a figura ou o figurante. A escrita é curta, seca e não descritiva, mas insinuante, metafórica ou provocatória.  Enquanto que numa pintura os fatores estéticos e simbólicos exigem demorada apreciação para se revelarem em todas as suas possibilidades, nos desenhos cómicos o que há para ver e compreender é instantâneo, ou ele falha. A mente que trabalha este processo, que encontra a necessidade e o prazer em o concretizar, sempre foi para mim estranha ou enigmática, embora eu por vezes encontre no real esse ridículo, absurdo, jucoso, miserável, infeliz…, que são a base da comicidade que tanto apreciamos e necessitamos. Como em Resende se escondia, durante tantos períodos de trabalho empenhado numa estética e numa simbólica da pintura, esse bicho sempre sedento de gozar com o mal e o disparate alheio? E na exposição algumas vezes, além de sorrir, me ri. Ele escreveu um pequeno texto sobre esse outro menino em si, mas não me chegou…!









DUAS FIGURAS TÍPICAS falam sobre 

a Exposição DESENHOS A5

na Galeria EXTÉRIL. 

Porto.Março de 2018

19ª CONVERSA


1.1 –  Escaleno, fui há dias convidado para participar na exposição, Desenhos em A5, na Galeria Extéril, ali no Bonjardim, 1176, no Porto, a já célebre galeria que é muito maior do que a arrecadação-oficina em que se encontra instalada. É uma aparente contradição se só pensarmos que as coisas são só o que vemos e experimentamos e não aquilo que pensamos e sentimos. Como é do nosso gosto, convido-te a entrar neste jogo de reflexão e crítica que é o que nos mantém em pé. Somos, eu sei, dos que pensam que o mind/body problem, não o é, mas que a existência humana é um problema constante para a mente e para o corpo que a criou, ou é o reconhecimento de que essa existência é um mar de problemas que a consciência nos exige ponderação, escolha e participação. A obra do Zé Manel, ou Teixeira Barbosa, tem 20 anos, ou por aí, e quem quiser conhecê-la melhor e ao seu pensamento tático e estratégico, nesse mundo da Alternativa Artística, deve procurar a revista mola, organizada pela Vera Carmo e o João Ricardo Moreira, que inclui uma entrevista com o Zé Manel. A revista encontra-se nos locais alternativos.



2.1 – Já passei por lá porque soube através do site, mas não fui convidado, nem isso me perturba ou diminui. Estou contigo nesta desbunda sobre a existência mental, que como sabemos não é muito cultivada entre nós. A crítica e a reflexão são considerados desconfortáveis, chatos e pouco convenientes e mesmo prejudiciais para o comum dos artistas nascentes ou finantes. Oh Ruskin, como te ignoram e desprezam! Deixemo-nos de lérias. Equilátero, não conhecia a Galeria mas foi uma boa experiência. Tanto por tão pouco! A vida também é assim, se for vivida intensamente e com a máxima entrega e consciência (crítica). O Desenho também o é – tanto com tão pouco. Como já falamos noutras conversas é aquela atividade, ação ou pensamento, como um rio. Nas nascentes, lá no alto puro, como o rio vai fazendo o seu percurso com poucos meios e serpenteando, procurando os melhores terrenos, por vezes difíceis e com períodos de seca,  acaba por desaguar no estuário marítimo, para subir depois às nuvens, e de novo e voltar a correr. A Extéril pertence às suas margens. Serralves é o estuário, está longe desse vital e fascinante nascer e percorrer. O que para viver não nos serve de muito, mas é politicamente rentável. Nestes ancoradouros ou pesqueiros, são como os locais nos rios, onde se encosta ou se colhe na corrente sem fim, o peixe que nos calha.  Isto é aquela matéria ou problema central: a política cultural, que havemos um dia de pegar pelo rabo. Equilátero, avancemos então por esta pescaria, embora a nossa experiência nos diga que as águas andam turvas e o peixe fugidio. Será que isto é conversa de velhos?

1.2 – Já cerca de 200 artistas expuseram na Galeria e esta exposição resulta do convite a número idêntico. Não sei se seriam os artistas que aí expuseram, o que é irrelevante. Na exposição há cerca de 80 desenhos o que mesmo no formato exigido não preenche as vastas 3 paredes com 2 metros quadrados cada. Faltaram alguns dos convidados. Escaleno, gostei de ver tanta gente num espaço apertado da oficina, que estava cheia, dentro do qual estava  a galeria. Isto é uma formulação ilógica ou quântica. Isto é uma impossibilidade só aparente pois há sempre formas de se arranjarem as coisas. As pessoas estavam contentes por se verem e penso por pensarem que todos faziam desenhos – aqueles que fazem desenhos – a confraria. Mas terão visto os desenhos? Ou só viram o seu? Não era fácil. Decerto voltaram! Este projeto expositivo tem mais de perfomance cultural do que de serviço artístico. Quer dizer alargamos todos a nossa consciência do que é hoje desenhar pelo fato de termos confrontado obras diversas com origens em sensibilidades, conceitos e interesses diferentes? Quase se poderá dizer que em cada autor existe um universo artístico e que a nossa possibilidade de o partilhar é muito reduzida e exige para o ser mesmo, muita dedicação e atenção.

2.2 – Vi a exposição sozinho e pude ver com mais atenção cada obra. Não é fácil, mesmo para quem como eu viu tantas centenas de desenhos por dia, como docente. Vi alguns melhor, outros mal e outros mal vi. Porque aí na escola estamos a ver as imagens de um contexto preciso e idêntico, e nestes casos estamos a ver a total divergência e variância de todos os fatores do desenho. Por isso “ as coletivas" são mais feiras do que lugar … Hoje as artes plásticas são o motivo para uma “movida”; andar pelos locais com marca, ver; ser visto. Também se podem ver obras. Mas não é importante. Sempre achei que se entrar no MSR é para ver um quadro do Pousão durante 15 minutos e sair em seguida. Mas no fim são experiências e vida. Como é do nosso gosto e intenção refletir, interrogar e criticar, com que fazemos o existir, além do infinito gosto do fazer. Gostamos do que é, mais do que o vai ser. Estamos por isso longe da prática hoje comum de se escrever sobre desenho, pintura, imagem e arte, só para falar das coisas que andam nas modas da cabeça. Em vez de falar/escrever mesmo sobre as obras em si, sem rodeios. Por outro lado, como a crítica desapareceu escreve-se de forma laudatória, explicativa, didática, curatorial para proteger. Sabes que curador para o dicionário é aquele que cuida, administra orfãos e menores. Mas deixemos estas graças! Vamos por isso questionar a exposição, o desenho mais do que os desenhos em particular o que seria muito duro e muito provavelmente desigual. Quais são os problemas que encontramos no desenho ali e hoje? Que apostas se fazem em alastrar o campo expressivo, poético e simbólico do desenho?  Há amostras de projetos de campos expressivos e concetuais? Vemos enunciadas tendências ou vertentes que aprofundem os vales desconhecidos, profundos e misteriosos do desenho?  Equilátero, o desenho é misterioso ou é essa coisa que se está mesmo a ver o que é, e como é?  Vejo a rua, vejo a face, e pronto. O que sair é desenho ou um desenho. Vejo muito disso por aí, gente a desenhar na rua, como todos desenham, sem que surja o olhar novo e surpreendente. Há diferença entre desenho e um desenho ?


1.3 –Quantos artistas desenhadores voltaram lá para rever desenhos? Esta é sempre a maior manifestação, ou exercício, ou prática cultural no desenho, como o é na música que gostamos. Ouvimos o mesmo trecho muitas vezes até cansar. Lemos o poema várias vezes e decoramos Porque não é assim com o desenho?  Estou confuso Escaleno. Mas não estou só. Os líderes políticos, religiosos, inteletuais, artísticos e desportivos estão todos. Ficamos confusos quando trocamos o desejo em se ser com o se quer ser. A mente humana parece ser atraída por esse abismo para a frustração. A humildade que é o culto do nada ter, nada ser, nada querer, nada aspirar é o outro caminho. Como pode agir bem, mesmo a desenhar quem está confuso? Um desenho é um problema como o é qualquer momento da vida. Como o resolvem os animais? Escutam, olham e escolhem um caminho. Os nossos problemas são mais da mente do que do corpo. Devermos estar mais interessados em compreender  e esclarecer um problema do que em resolvê-lo. Depois de resolvido vai dar origem a outro. Então devemos viver os problemas como se fossem parte de nós que exigem ser vividos  e esclarecidos. Soa a metafísica e filosofia barata?!  Mas quando desenhamos, e fazê-lo é uma graça da mente, estamos a afastar-nos ou a aproximar-nos da humildade ou da vaidade ou orgulho. Pode isto ser orientado? Há algum método? Não sei. Duvido. Sei que está só em mim o poder de avançar ao lado dos outros.

2.3 –  Nas pedras da praia os mexilhões juntam-se uns aos outros para sobreviver. Ao lado, as lapas vivem isoladas. Nós, como vivemos soltos como os camarões, temos que estabelecer ligações. A cultura é a principal, por sermos humanos. A cultura não é saber quem foi Giotto. É ter dentro de si e viver com as imagens das pinturas de Giotto. É ter ido à exposição e ter dentro de si algumas das imagens que lá estavam. Também é fazer o que estamos a fazer agora, que é prolongar essa vivência. Somos solitários irremediavelmente mas não queremos ou podemos ser lapas. Há duzentos anos uma exposição deste tipo teria os desenhos enquadrados por poucos temas: retrato, figura nu, figuras da vida popular, paisagens pitorescas, vistas de cidades, naturezas mortas, e alguns desenhos do imaginário religioso e mitológico. Talvez algumas primeiras caricaturas. Nesta exposição que mostra uma ínfima parte da enorme variedade de tipologias de desenho, mesmo assim ficamos algo desorientados. Há duzentos anos também se acreditava no progresso em Arte e num Sentido. Desde a Idade Média, depois do escurecimento Helenístico, a partir do Renascimento que o retoma, vinha-se avançando. A filosofia alemã escolástica e depois o formalismo concetual francês fez-nos crer que o abstraccionismo era o culminar desse destino. Hoje sabemos que era tudo treta. Sabemos que a arte essa atracção do homem para encontrar o seu Sentido não tem sentido em sim mesma, como não o tem a vida. Mas o nosso maior desejo, Equilátero, como o partilhamos e vivemos, um problema  existe não para se encontrar solução, mas para se viver a sua complexidade, como fazia Shakespeare na sua dramaturgia. Aqui estão os males e as grandezas do homem e como as podemos viver. O que aconteceu foi que, após a Revolução Francesa e depois com a Descolonização e a Globalização, o mundo deixou de ser culturalmente centrado. Hoje todos em todos os locais se incorporam, partilham, fundem e afirmam diferenças duma forma não centrada mas aberta ou em rede, como agora se diz. Não fiquei atraído por nenhuma imagem. Não há nenhum “golo de pontapédebicicleta”, nem de “calcanhar”.  Muitas intenções, mas pouca afirmação disciplinar. Parece que as pessoas pensam não ser conveniente mostrar o que têm de melhor. Uma atitude defensiva em tempos sem esperança?




1.4 –  Da exposição retiro, sem novidade mas como confirmação ou reencontro, algumas noções ou aspetos que nos permitem autopsiar ou esquartejar o desenho, ato considerado por alguns destruidor da sua pureza e naturalidade. Escaleno, nós gostamos de mexer no que está dentro. Alguns encararam o desenho nessa folha A5 como um estudo; outros encararam como obra finita. Em todos eles há uma sentença. Nalguns casos é veemente, noutros é quase liminar e invisível. Uns acham que o campo de A5  é um suporte material anódino e indiferente. Outros acham que é um campo de ação que marca limites e tensões próprias e tempo próprio. Esta é a matéria da Composição que devia ser a matéria base do Desenho, como o é em todas as artes. O A é uma relação proporcional convencionada. O 5 é uma escala de representação (na abstração não existe) que faz com que a imagem de uma face esteja em metade e que uma abelha possa estar 15 vezes maior. Esses limites não são perda de liberdade expressiva, são condição de qualidade, do valor e caráter da ação expressiva, plástica, poética e simbólica. Posso apontar algumas linhas detetáveis nessa autópsia. As linhas da representação do visível, da figuração pop, da introspecção, da abstração, da caricatura, do ideografismo, da concetualização, da experimentação formal, do prazer no gesto gráfico, da ilustração, do conhecimento formal e funcional, da sugestão psicológica, do retrato, do esquematismo icónico e simbólico. Essas linhas saem dum núcelo que é a disciplina e, sendo no início independentes, algumas tendem a aproximar-se e a fundir-se. Por vezes cruzam-se ou juntam-se, em especial se passamos à pintura que é o desenho que quer sobreviver materialmente, outras fundem-se mas quase sempre são afirmação dominante. A mancha exterior neste ideograma é toda a obra do desenho, o centro o núcleo disciplinar e as linhas são as variáveis de ação.







2.4 – Equilátero sigo o teu caminho. Ao recordar, passados uns dias, quais são as  imagens que me surgem? Citarei algumas, mas o que me leva a  retê-las? Serão acima de tudo fatores psicológicos mais do que ideológicos. Poderiam ser esses os determinantes num tempo em que os valores estavam definidos eram regra e dever. O psicológico aqui vai dos universos secretos de cada um, às modas estéticas ou icónicas que são superficiais por serem circunstanciais e passageiras. Recordo uma caveira, uma paisagem plana, um tronco esfumado, uma figura de costas em escorço; na mão que segura um aparelho, uma equívoca imagem de escuros com aberturas; figuras em volta de um espaço triangular. Que perguntas podemos fazer quando vemos uma exposição de desenhos, ou só devemos escutá-los? Para que nos serve perguntar? Ver um desenho é-se  afetado pelo que está ao seu lado? Na exposição os desenhos estavam  expostos aleatoriamente e isso criou condições particulares ou especiais para a sua apreciação? As pessoas que viram a exposição na noite de estreia, quanto tempo dedicaram a ver cada desenho?  10’’? 80 desenhos dá 15 minutos dentro da caixa branca. Quem os explorou? As obras que fazemos acabam em nós quando as fazemos e depois passam a viver em nós como nas outras pessoas. Uma obra é acima de tudo o testemunho do autor. O outro inclui ou afasta-se desse testemunho. Também pode construir um testemunho que fica dentro de si. Se o outro me interessa pelo desenho que fez é porque me é diferente e próximo. Nunca indiferente. Podemos ver uma obra e usufruí-la sem que lhe coloquemos parte de nós? E ela só existe se nós existirmos?

1.5 – O Desenho tem a possibilidade – além de ser o único meio de tornar visível as imagens da mente, que são as únicas –  de alargar a consciência do real. O cinema desde que surgiu, e em especial nesta era digital, quer nos fazer crer que criar a grande ilusão é coisa boa. Mas no desenho não se trata de ilusão. Trata-se de realidade. E não fabricada por enormes e poderosíssimas máquinas e homens. A imagem que o desenho nos dá, em especial na representação, pois na abstração é sensorialidade, é uma porção da infinita variedade de sentidos, sensações, emoções, fantasias, que a mente humana é capaz de tratar com base na memória pessoal e na memória da espécie. Fico sempre surpreendido, que até já não me surpreende, o que as pessoas vêm nas imagens de diferente daquilo que vejo. Dos desenhos que vi, que referiste concretamente não vou deixar uma reflexão. Há alguns que ainda retenho, de que me recordo. Outros nem me lembro. Mas aqueles que eu gostaria de ficar com eles para mim não me surgem com evidencia ou desejo claro. Mas esta é a pedra de toque da cultura do desenho. Passar os níveis inconscientes e assumir a consciência, o mais plena possível, do Gosto. As culturas artísticas sempre viveram encerradas em si. Hoje temos acesso a imagens de desenho com origem em todas as partes do mundo, numa dimensão e quantidade que nunca poderemos ver ou experimentar. O realismo no desenho, isto é, a representação do real – aquilo que me é estranho e vejo (uma foto é igual a um objeto) – é baseado em duas disposições. Aqueles que desenham o que vêm em concreto em tempo, lugar e luz, e aqueles que desenham os mesmos motivos baseados exclusivamente no reportório formal e nas memórias de circunstâncias de tempo, lugar e luz . Estas disposições parecem ser inatas e inconciliáveis embora me atraia traí-las na minha ação artística. Mas não partilho a ideia de que é o observador que faz a obra. A obra é um testemunho único, irrepetível, singular. O próprio mesmo não a pode repetir. Aos outros cabe interpretar.

2.5 – Pode ou deve haver crítica na arte e no desenho, e são de natureza diferentes? Quais são os âmbitos em que pode ser feita a crítica? A crítica deve permitir ser-se melhor e, acima de tudo, ser autocrítica? Ou melhor pode a autocrítica tornar a crítica menos ou mais pertinente? A mente ou o processo mental da existência que faz o pensamento (consciência) assenta em aspetos que devem ser percebidos pois se não forem não existimos de fato. Sofrimento, dor, amor prazer, ódio, deleite, sentimento, ilusão. Mas o nosso apego à memória e tradição das nossas mentes impede que tenhamos uma consciência limpa desses aspetos. E isso é muito difícil mas é de admitir que seja verdade. Será o desenho um dos meios mais poderosos ou eficazes de nos aproximar da possibilidade de termos essa perceção ou compreensão do que é a nossa realidade mental ou de como a nossa mente experiência a realidade de forma muito intensa e rica? Fazer desenhos e vê-los com outros é viver afinidades. A afinidade é a partilha mais contentadora. Ser em vez de querer vir a ser. Saber escutar e sentir o “nosso fundo”. Escutar ou ver sem que se pense o que se está a ver. Estas são ações básicas da criatividade. E o desenho é o meio inato de o fazer desde o Homem Neandertal. O cinismo duchampiano, que é um egoísmo inteletualizado, que desconhece o amor, leva-nos a crer que podemos viver pensando no pensamento e nas suas formulações acessórias ou arbitrárias. A arte é, uma finalidade sem fim, e por isso tudo pode ser realizado por, e para si. Este é o quadro em que se desenha hoje, em que cada um desenha e se desenha a si, mais que ao mundo, mais ou menos feliz ou infeliz. Mas o desenho é uma disciplina antes de ser arte. Lá fora, fora de si, o amor pode esperar. Será assim Equilátero?

JoaquimPintoVieira.Abril.2018



















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AGUARELAS 
A partir dos DESENHOS SEM PENSAR



acompanhamento


























esperado esperando
























inexplicado aceitável































. AGUARELAS AO BAIXO

Reposição e revelação de imagens da série
Cenas em frente ao mar 































NOVAS PINTURAS A ÓLEO

óleo sobre tela 140x110 cm













óleo sobre madeira . 60x40 cm





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PINDUAS/PINDOIS   Pinturas em duas faces e dois tempos


Projeto de pintura em pequena dimensão, em objetos ou superfícies anexas ou contíguas. Como as superfícies ou planos da pintura e da imagem são normalmente opostas quando de vê uma delas não se vê a outra. As superfícies podem ser em número superior e dar origem a situações de desenvolvimento temático ou semântico mais complexo. A exploração da condicionante temporal da apreensão e observação das imagens é o vetor mais importante do projeto pois deve permitir criar inusitadas situações expressivas.

Os objetos são em madeira de diversas árvores e as superfícies são preparadas com colas, tecidos e papeis.  São pintadas em acrílico, esmalte sintético e óleo de água. Também se utilizam pigmentos diversos, purpurinas e folha de ouro.

As dimensões e formatos variam com o tipo de cortes nos troncos das árvores. O clip
presente nas imagens dá a sua dimensão.








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DESENHOS no iPad
Nova série de desenhos há tempos experimentada e em desenvolvimento pois dá algum gozo.
Tem um Tema. Um Medo













                   







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 . PINTURAS no iPAD






















































PINTURAS NO iPad
- imagens a Sul 2015





























. NOVAS PINTURAS NO iPad








 

















O OUTRO
  
Nesta série de pequenas crónicas pretendo verter o que me vai na mente sobre experiências com as obras de alguns contemporâneos, conterrâneos e outros. Serei breve mas intenso quanto possa. É só um pequeno contributo para evitar o silêncio. O outros textos podem ser vistos na Página própria.



RUBENS






























Peter Paul Rubens, 1577-1640, nasceu na Flandres. É um dos maiores pintores do Barroco. Fez mais de 9000 desenhos e um deles é o que se vê aqui. O  Museu do Prado vai mostrar a sua vasta coleção de pinturas de esbocetos, desde alguns com cerca de 10 cm, até outros com 1 metro. Tal como os desenhos os esbocetos são produtos direto da sua mão e mente. As milhares de enormes pinturas eram também pintadas por muitos outros pintores com quem trabalhava – chegaram a ser 25. É o pintor das cortes do grandioso, como a Corte espanhola. Velázques conheceu-o mas era o pintor de câmara do rei e designer das festas reais. A decoração dos palácios e igrejas eram para Rubens. Este desenho como outros semelhantes no tema e processo é muito esclarecedor das suas capacidades e caráter . Ele desenhava da imaginação tratando os temas bíblicos e mitológicos e também desenhava do real, como no caso o real popular, como o fazia com paisagens aparentemente vulgares. São esquissos de casais de camponeses dançando. Ele desenha em direto ou de memória as variantes da composição ou articulação dos corpos no espaco, como fazia na sua pintura. É curioso como ocupa a folha na diagonal em três faixas. O papel era raro. O traço muito tenso e curto agita-se com uma secura e firmeza notáveis. Apanha o essencial que dá sentido ao movimento dos corpos em relação no espaço. Será um desenho de 1627, 13 anos antes de morrer. Um autor feito mas que continuava à procura da vida e a ver como era a realidade mesmo que na sua pintura trate dominantemente de temas do imaginário cultural. Nos retratos ele está sempre ali. Naquele raro momento. Viveu jovem, 8 anos em Itália, e de Veneza trouxe a libertação expressiva plástica da pintura. Ver um quadro de Rubens chega só a1metro de distância. Em Ingres podemos encostar o nariz à tela. Foi uma enorme mudança da experiência da imagem da pintura como objecto.




 AUGUST MACKE





























August Macke,1887-1914, foi um pintor alemão, que morreu jovem como se usava na altura. Cultivava a tendência expressionista, no pós-impressionismo, dentro do grupo, Der Blaue Reiter,, de que foi fundador, e armava, sem bem o saber, os arraiais da abstração. Esta aguarela, 29x22 cm, de 1913, bem o demonstra ou evidencia. Em 1912, Duchamp pintava e expunha sem qualquer êxito o, Nu descendo a escada, uma obra futurista exprimindo a ideia de movimento e da 4ª dimensão. Eram os vetores do pensamento modernista da época. Mas na base do formalismo abstrato, que Duchamp desprezava, estava este espírito e este entendimento do que é um quadro, uma pintura e o que se espera que ela trate ou nos toque. Ainda temos presente uma porção da experiência real, do dístico, da rua, do balcão mas tudo começa a ser subjugado pelo jogo absoluto dos valores plásticos. A cor, a composição geométrica ou informal, a forma, o ritmo, a textura. Ainda hoje este quadro é satisfatório para muitos pintores e, cem anos depois, não deixa de ser com ternura que olho para estas aguarelas, tão delicadas, espontâneas, seguras, sabendo-se que não se sabia bem o que se estava a fazer. Com 27 anos deixou de seguir esse caminho que trilhava com muito empenho, crença, fascínio e surpresa do feito. Outros o fizeram e fazem ainda hoje.






Pintor Grego


























Pintor grego anónimo, cerca de 450, AC, é o autor desta taça em terracota. A cena representará a oferenda diante de um altar. A Pintura de fundos ou campos circulares de taças foi muito frequente na arte da pintura cerâmica na gécia antiga. Depois passou para os pratos. Mas é sobre o desenho/pintura deste grego, “outro” de há 2500 anos, que eu quero escrever; quero ver. O campo circular no desenho é dos mais complexos porque não tem axialidades fixas e tem um centro que o é de tudo à sua volta. O próximo e o exterior. É um campo que encerra mas sem pressão clara. A orientação, como neste caso, é clara e a ocupação do centro na vertical pela figura principal, também. Para a esquerda se coloca a outra figura que indica a ação. Do centro da figura, do centro do circulo e mão, sai uma linha que é quase um diâmetro e parece apoiar a leve queda traseira da figura. O braço direito contraria, também, essa tendência de queda. É esse o elemento principal da ação. Admitamos que o braço direito não existia. O equilibrio desaparecia e os sentidos da ação ou imagem seriam outros. Não se sabe se existiria algo sobre a cadeira ou base à esquerda, O desenho é linear, como um arremedo de mancha no lenço sobre os ombros que se liga ao cabelo. Três grupos de conjuntos de linhas verticais ondulantes alimentam essa expressão de movimento suave. Também dois conjuntos de formas ritmadas, muito pequenas, são indispensáveis, na base do vestido e na base do objeto. Façamos a experiência de retirar qualquer destes elementos e antever o que se ganharia ou perderia. É esta, sempre, a prova do valor de um desenho. Se perderia também a graça insinuante que um pequeno gesto, como motivo, faz o que é importante.






UMA IMAGEM 
E QUASE MIL PALAVRAS  .1



















O PINTOR E O MODELO

Este é um dos temas pós-clássicos e misteriosos da pintura. Porque quer o pintor mostrar-nos o que se passa nesse delicado momento em que entre o que não sabe o que quer pintar e a vontade de o fazer? Esta imagem, que é uma fotografia, mostra esse momento. Quase não o mostrava. O que a torna mais misteriosa. Uma oficina de tecelagem e também atelier de pintor. À esquerda pode ver-se um retrato de um “modelo” feminino, desenho ou pintura, tanto faz. À direita, com muita evidência, uma mulher nua posa para o artista pintor, pois que estaria a fazer uma mulher nua numa oficina de tecelagem.  Dele aparece um braço armado de pincel que pinta uma tela onde parece surgir a imagem de uma mulher nua. Estará ele a servir-se da mulher nua com o modelo? Sabemos demais como os pintores desde o séc. XVIII iniciaram uma já longa exploração desse tema. Um modelo, existirá, porque se quer fazer um retrato. Um retrato é uma tentativa de apreender e representar os aspetos essenciais visíveis e latentes de uma certa realidade. Um modelo não é uma imagem mas um reservatório potencial de imagens. Se desenhamos uma mulher nua de imaginação fazemos recurso a enorme quantidade de imagens de mulheres nuas que a nossa mente contém em níveis muito diversos. Isso destina o desenho a recorrer-se de configurações que estão estratificadas e sedimentadas de na nossa mente segundo certos padrões de gosto, de sentimentos e valores morais. Por isso se dizia no classicismo em geral que desenhar a partir da natureza, do modelo, era a forma de fugir aos vícios formais e às convenções. Ser criativo e inovador. Com o modernismo este quadro cognitivo, este processo de gestão do conhecimento e do saber foi anulado. Ficou só um quadro de saber que reside no interior experienciado e herdado do autor. Assim se passou à situação do modelo ser um mero pretexto. Como quase sempre é um modelo feminino e o artista é homem.  Poderá haver uma relação entre o modelo e o artista que ultrapassa a condição de objeto retratável. Pode ser voyeurism, pode ser estimulo sentimental, erótico, sensual,  enfim... Todos sabemos que um modelo nunca é a imagem para obra. Para isso existe a fotografia. Um modelo é uma motivação, um condicionamento que produz libertação. Um ponto de partida para uma chegada inesperada. Mas o que está na base desta atitude ou desta satisfação é o abandono da mimésis, da representação da realidade iniciada na arte nos meados do séc. XIX. A expressão do próprio artista é a base do critério para valorizar o ato de pintar que passa, acima de tudo, a ser “criação”. Não representar o visível mas o que está “dentro” do artista. Ainda hoje esta cultura, este paradigma, se mantém pois assenta na força de um direito bem moderno e romântico. Ser-se o que se é e não se submeter a modelos consagrados a modelos morais. Ainda vivi, na idade dos dez, esse universo e a presença dessa condição, desse paradigma. Senti como foi duro e complicado vencê-lo. E vejo hoje como ser autêntico, individual e subjetivo é comum e aceite. Uma ética da autenticidade é aquela que nos enquadra mas que encobre contradições e mesmo desvios e abandonos. Mas como todos sabemos este mar moderno e modernista não é de




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