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pintovieiradesenho

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segunda-feira, 29 de agosto de 2016


Este blog destina-se a divulgar 
as obras de artes plásticas 
que fui realizando desde 1965 
- mostradas em parte 
nas imagens das "páginas".  
Também noutras "páginas" 
se encontram textos diversos 
que entretanto fui produzindo.

Nesta página, "mensagens", aparecerão textos do momento, em secções próprias, imagens de obras recentes, notícias e, também, textos mais longos e curtos que tenham sido produzidos recentemente e que se justifique a sua divulgação no momento.

joaquimpintovieira1@hotmail.com

OS OUTROS BLOGS QUE EDITO SÃO 
http://drawingdesenhodibujo.blogspot.com
http://pintovieiraensinodesenho.blogspot.com
http://pintovieirapupila.blogspot.com
http://atalhadoagostinho.blogspot.com

BLOGS DE AMIGOS














Mensagens da quinzena


De 15 de ABRIL
a 29 de ABRIL de 2019


Textos e obras disponíveis nesta página.
Nas outras páginas estão as imagens e textos aqui publicados e não publicados.




LISTA DE PUBLICAÇÕES RECENTES em AZUL






.  O OUTRO

. ESQUÍROLAS DO DESENHO

. DESENHOS NO iPad

. DESENHOS SEM PENSAR






.  O OUTRO

.  ESQUÍROLAS DO DESENHO

 . NOVAS PINTURAS A ÓLEO

 . AGUARELAS 

 .  PINDUAS/PINDOIS
    Pequenas pinturas em madeira

. DESENHOS NO iPad
  

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O OUTRO
  
Nesta série de pequenas crónicas pretendo verter o que me vai na mente sobre experiências com as obras de alguns contemporâneos, conterrâneos e outros. Serei breve mas intenso quanto possa. É só um pequeno contributo para evitar o silêncio. Os outros textos podem ser vistos, mais adiante ou na Página própria.



TETSUYA ISHIDA



















Tetsuya Ishida, 1973-2005, Japão, foi um pintor e designer que morreu de forma pouco esclarecida. Como a sua obra, que nos deixa sem esclarecimento. Mas é essa a função da arte, e se calhar da vida. É claramente para mim o mais extraordinário pintor surrealista do nosso tempo. Não é fantástico, como se usa para aí. É um usurpador do real como nós julgávamos que ele é.  Fico muito surpreendido e incomodado com as suas imagens. Embora com diferenças, que não sei se profundas, põe-me em presença de Magritte, cujas imagens me surpreendem mas não me incomodam. Com as de Ishida até o ar me falta! O surrealismo precisa muito do realismo. Nunca vi qualquer obra diretamente. Têm as medidas próximas do metro e são pintadas a óleo. Em Ishida a pintura assenta num desenho muito preciso das figuras e da complexa representação alterada do espaço, da escala e muitas vezes com uma identidade total com o espaço real. A luz é normalmente neutra não sendo dela que se cria o clima emocional ou sentimental da obra. A cor é quase neutra: cinzas, azuis, ocres, meios tons. A panóplia de imagens de objetos do nosso quotidiano é enorme e muitos desses objetos sofrem transformações que recriam funções. Nada tem a ver com ilustração e tudo tem a ver com conceitos e ideias. Não sei se chega ao sentimento e se fica só na emoção. É possivelmente muito autobiográfica no sentido em que a personagem, no fundo só uma, é a de si próprio. É uma representação catártica, um pouco como Frida Kalo. A imaginação criativa de cenas ou ações ou situações é absolutamente surpreendente quase abismal ou abissal. O que pode a nossa mente em sofrimento, encurralada, responsabilizada, acossada?! Os deuses chamam cedo para junto de si os melhores para os poderem adorar e desfrutar. Do que são capazes os deuses?! – e os homens.










ESQUÍROLAS 
DO DESENHO

São pequenas partículas que saltam desse  
osso enorme e difuso que se pode chamar de, Desenho;
e daquilo que o envolve. Surgem do nada e a propósito de tudo.

Muitas das anteriormente publicadas podem ser vistas na PÁGINA ESQUÍROLAS DO DESENHO, ou mais à frente.










Esquírola duzentos e quatro

 “Um dos erros sociológicos e psicológicos mais fatais de que nossa época é tão rica, foi o de pensar, muitas vezes, que alguma coisa pode mudar de um momento para outro; por exemplo: que a natureza do homem pode mudar radicalmente, ou que podemos descobrir uma fórmula ou uma verdade que seja um começo inteiramente novo, etc. Qualquer mudança essencial ou mesmo uma simples melhoria significa um milagre. “ (…) a agitação mental daí decorrente gera, facilmente, a perda de sentido da existência.(…)” Carl Gustav Jung, excerto de  A alma e a morte, publicado em 1934. A consciência do homem modernista nas suas variantes artísticas é uma manifestação desse erro. Hoje vê-se isso com clareza. Esse homem novo, arte nova, pintura nova, homem totalmente livre, baseia-se no erro de pensar que o que é pode ser mudado sem quaisquer dificuldades. Também radica no erro de considerar que o que é tradicional é descartável e errado ou incorreto e não existe história ou ligação entre passado presente e futuro.  Alguns consideram que esta é a fronteira essencial entre esquerda e direita. Como sou de esquerda acho que essa divisão sempre existirá. Mas considero que a fronteira está noutras matérias, ideias ou ações. Por ex., a ideia de privilégio, de honra, de individualismo arbitrário, de sujeição, ou domínio irracional.  Muita da prática, das obras, de autores, desde o modernismo até hoje, cultivam esses valores e por isso são, para mim, de direita. Se seguirmos Jung; …Qualquer mudança essencial ou mesmo uma simples melhoria significa um milagre, podemos pensar que a modéstia, a temperança, o rigor, a constância, a consciência aturada a tudo na vida, o aperfeiçoamento, que alguns considerarão um fator de direita, são alguns dos desígnios essenciais de uma existência que quer um homem mais completo. O radicalismo é uma estratégia de rutura e de dominação prometida. Qualquer intuito de dominação é de direita. Não pode ser a permanente destruição, transgressão, provocação, desregulação que se impõe. Quem não sente um pouco disso, ou mesmo muito, com a tentativa em partilhar ou mesmo aceder às propostas artísticas contemporâneas em que muitos jovens se encontram empenhados e que podemos ver, um pouco por aí, nos locais mais consagrados?







. DESENHOS DIGITAIS - iPad
   
 SOBRE O PRETO


Nova série de desenhos explorando as possibilidades operativas de um instrumento-meio
que oferece condições ou oportunidades únicas e insubstituíveis.





































































DESENHOS SEM PENSAR
mostrados e apresentados sistemáticamente no blog drawingdesenhodibujo.
Aqui alguns desenhos recentes entre os realizados diariamente.



 
12.04.19




























27.03.19




























14.03.19



























02.03.19





























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ESQUÍROLAS 
DO DESENHO

São pequenas partículas que saltam desse  
osso enorme e difuso que se pode chamar de, Desenho;
e daquilo que o envolve. Surgem do nada e a propósito de tudo.

Muitas das anteriormente publicadas podem ser vistas na PÁGINA ESQUÍROLAS DO DESENHO, ou mais à frente.



Esquírola duzentos e três


O fim da História é um tema recorrente há uns anos, popularizado por Fukuyama. Há dias no Jornal de Negócios, Fernando Ilharco, na sua habitual, pequena e incisiva crónica, volta ao tema no contexto da sociedade digital e da comunicação. As estruturas humanas de percepção e atenção, os modos de agir e sentir, hoje não facilitam mais o pensamento histórico. Entrámos já numa época pós-histórica, como sugeriu Vilém Flusser, o pensador dos media checo-brasileiro. Vivemos mergulhados em imagens, como há quatro mil anos antes da invenção do alfabético fonético. Isto quer dizer, entre outras coisas que a história, isto é, a consciência do que já se passou deixou de nos interessar, de servir.  Diz-se que a História começa com a invenção da escrita. A escrita criará um pensamento sequencial. O mundo das imagens dos media criará um pensamento simultâneo ou holístico. Vilém Flusser, 1920-1991, um existencialista, fenomenologista via o homem como ser solitário finado em si, afastado da possibilidade infinita. Fui voltar a ler, desde há muitos anos. Pensou coisas muito estimulantes sobre a fotografia, como ato de produção de imagens e meio de aceder ao mundo – com outros dados diz, por ex., coisas diferentes da imagem pintada como eu as entendo. Ele escreveu pouco sobre a imagem - usava-se ainda pouco. A Net começa após a sua morte. E muitas das suas reflexões perderam sentido se considerarmos a natureza concetual e operativa da produção da imagem digital através das ferramentas da sua transformação e criação. Já não há imagens da realidade; não sabemos bem o que é real e falso. Tudo é imagem mental. As imagens são para mim, como para Eco, entidades em código aberto. Ao contrário do texto que é um código fechado. Os linguistas clássicos consideram que a comunicação linguística se faz em duas articulações.  A primeira, dos significados; a segunda das regras de utilização dos fonemas e morfemas. Nas imagens só existe a primeira; na matemática, por ex., só existe a segunda. Mas deixar de ter pensamento matemático ou pensamento linguístico é uma impossibilidade substantiva ou mesmo instrumental para a mente humana.  Assim se o significado se estabelece numa imagem não há qualquer garantia que num contexto cultural diverso não tenha outro diferente. Todos temos experiência disso. Qualquer imagem que, enfim, só existe na mente, é sempre muito fugidia e difícil de ver em termos meramente percetivos. Falo da imagens fixas, pois o cinema, como a cena real na carruagem do metro são super-fugídias. Há anos procurei estabelecer uma ligação entre a semântica do texto com uma semântica da imagem através das noções de conotação e denotação. Obtive alguns êxitos, mas não vem ao caso. O que interessa é que penso que não estamos no fim de nada, mas no princípio. Estamos no princípio de um tempo em que o domínio da mente pelo hemisfério esquerdo do cérebro deixou de se fazer sobre o direito. Sobre esse domínio se fundou toda a pedagogia, toda a escola, até hoje. A educação pelo exemplo, que como diz Jung, é a mais importante e ignora essa dicotomia. Na nossa mente a aprendizagem através do que vemos os outros fazer e dizer provoca  em nós a descoberta do sentido, fim da aprendizagem. Como sou um caso típico de produtor diário de imagens gráficas, fotográficas e textos escritos à mão e no teclado, o fim da história, por se ter perdido a mente sequencial é um equívoco (in)fundado.  Não cultivo, pois, a ideia de que a História acabou porque a escrita  e a leitura não são mais os principais modos de comunicação dos homens. Vamos juntar tudo, modos e modalidades?!





Esquírola duzentos e dois

 A saturação é a designação do fato de não caber mais, de não se aguentar mais. A saturação do mercado de produtos materiais artísticos é mais evidente e real no mundo das artes plásticas do que o de outros, a música, por ex.. A saturação é um das consequências da excessiva produção, por exemplo, nas artes plásticas e arquitectura, também. Se no primeiro caso o artistas podem continuar a fazer as coisas para si, no segundo, não.  Será por causa dessa ameaça, desse constrangimento, que os artistas plásticos evitam falar da sua obra com os parceiros, e mesmo com o público,  não parando de dizer baboseiras e coisas para iludir. Nunca nenhum artista está interessado em falar na sua verdade com propriedade, com clareza e desprendimento. É sempre para iludir e, no fim, para vender. É mais fácil e corrente ouvir músicos e intérpretes a falar da sua obra com critério e verdade e o mesmo da obra dos seus pares, vivos ou mortos. Com os poetas e romancistas o mesmo, mas menos. A música e a poesia não ocupam espaço físico, material. Podem continuar todos os músicos vivos e muitos mais a nascer a produzir um número infinito de obras.  Mas nas artes plásticas sabe-se que os museus e cacs estão com os arquivos a abarrotar, os colecionadores não chegam para as “necessidades” e os artistas tem os atelieres cheios de obras. E há artistas que as fazem maiores do que eles próprios são! Gigantescas! E isto pode continuar! Há obras públicas mas o espaço não é muito e quando as obras são más – frequentemente – o mal é maior e de difícil mas imperiosa correção. E isto pode continuar!? Pode continuar com a consciência que o que fazemos, a condição para exercer a criatividade, pode ser controlada ou adaptada. Hoje no  mundo das imagens gráficas pode-se exercer muita a criatividade através do meio digital que não ocupa espaço. Mas, também, claro que não pode, porque a alienação é uma doença pessoal e um mal social, mas continua até que implode ou explode. Se as coisas que não cumprem a sua função, a que o grupo deseja, ou aspira, ou requer, ou acolhe acabam por desaparecer. Mas o grupo social não atua com racionalidade ou mesmo com critério. Atua como por desleixo e degradação e por fim, como a natureza e com o seu apoio, por regeneração e recuperação. E também desaparecem mesmo por abandono, como sempre se fez, e por destruição intencionada, como sempre se fez, também. Vai haver muito trabalho agitação. Isto é matéria ética, não moral.



Esquírola duzentos e um

Ajuda-me o desenho, e a vida, a ter consciência, pensamento e compreensão. Estas palavras dizem-me que existo. Elas parecem correlativas mas são diferentes.  E elas não são o todo. Existem outras para outras competências e funções, mas agora chegam.  Mas sem elas eu sinto, mais do que penso, que o Sentido se perde.  Aparentemente todas têm a ver com razão, racionalidade. Mas não é assim, para mim. A consciência é a condição básica da minha existência, da nossa, como espécie, e há quem diga do Universo. Quando ainda durmo ela descansa mas o que a criou, o inconsciente, continua com a atividade e energia que tem sempre. Quando acordo verifico sempre se está em ordem. Por vezes não. Mas eu não tenho mais consciência porque tenho maior compreensão do mundo e de mim.  Elaboro essa compreensão com o conhecimento, que não chega para tudo, e com atenção. A sabedoria me aconselha sobre o que compreendo; ou melhor, a compreensão é feita de coisas que já sei, e mais do que isso, do que sou eu. O conhecimento pode não ser meu, ser adquirido ou emprestado. Eu posso ter mais consciência de mim e do mundo se pensar menos nele e prestar-lhe mais atenção. A compreensão exige muita atenção, abandono de si e entrega à observação cuidada. Eu aumento o conhecimento do desenho, ou sobre o desenho que faço, se lhe prestar atenção cuidada e sem critério, pois só assim ele se me pode revelar. Se usar um critério corro o risco dele se me esconder. Mas ter critério é decisivo para a compreensão. Hoje vejo as imagens como nunca as vi. Há anos, recordo como me era difícil olhar muito tempo para uma imagem e encontrar sentidos. Hoje eles surgem com mais frequência, naturalidade, variedade e densidade. Essa coisa do sentido é a chave. Se eu nem olhar para o desenho, ou só pouco, é fácil admitir que quase não existirá. Muitas vezes é isso que fazemos – ou que fazem com os nossos desenhos – como o fazemos quando comemos a sopa sem lhe prestrar a atenção cuidadosa. Essa, é o início ou a chave.

Esquírola DUZENTOS

O que é a consciência?  Talvez nunca se venha a saber o que é. Talvez seja um robot humanóide a explicar-nos o que é a nossa consciência, decerto diferente da dele. Jung no seu livro, O desenvolvimento da personalidade, conjunto de conferências realizadas até 1945, diz:  “ O inconsciente é a mãe criadora da consciência. A partir do inconsciente é que se desenvolveu a consciência durante a infância, tal como ocorreu nas eras longínquas do primitivismo, quando o homem se tornou ser humano. Já me perguntaram várias vezes como é que a consciência pode surgir do inconsciente. Talvez o caminho seja deduzir das experiências atuais. Talvez ela tenha surgido, como surge hoje em dia, no nosso desenvolvimento desde bebés. Há dois caminhos pelos quais surge a consciência. O primeiro é um momento de forte tensão emocional que se pode viver em qualquer momento da vida com os outros e consigo próprio. O segundo é um estado contemplativo no qual as representações se movimentam como imagens oníricas. Repentinamente surge uma associação entre duas representações aparentemente desconexas e distantes e deste modo se liberta uma tensão latente.  Tal momento atua como uma revelação. Parece ser sempre a descarga de uma tensão energética de natureza externa ou interna aquilo que produz o que seja ter consciência em si. Esta explicação é aquela que até hoje encontrei mais compreensível ou hipoteticamente aceitável.  Isto é, a consciência é algo que  está em permanente e progressivo desenvolvimento desde que esse fenómeno de transferência energética foi para o cérebro um achado.  Qualquer coisa que o cérebro humano admitiu que poderia ser uma forma diferente de ordenar os estímulos exteriores como o fazem os cérebros de outros animais superiores, e ao mesmo tempo verificar que alguns desses estímulos eram mesmo sua pertença”. O que chamamos hoje consciência já é muito diferente do que era há 10.000 anos, por ex., ou como temos consciência dela com 15 ou 70 anos. A consciência, que na Grécia antiga foi capaz de se elaborar com uma complexidade que nenhum outra cultura humana foi capaz de o fazer, como também  no Extremo Oriente, noutra área de processo de auto consciência, não é mais do que uma das condições do humano em que ele se reconhece.  Se hoje o cérebro é igual ao que era o do Sapiens, dos bons ou maus velhos tempos, isso já não conta. O que contará para o futuro é como esse processo descrito por Jung em dois caminhos, ou outros, nos vai fazer mais humanos, porque não o ser não é para nós. Porém, como também nos diz, nada nos autoriza pensar que o homem vai mudar nos próximos milhares de  anos, não tendo mudado quase nada nos últimos milhares. Uma vida espiritualmente rica só existe a partir de uma consciência elevada.


Esquírola cento e noventa e nove

Velhos sábios budistas e confucionistas consideravam que a aprovação pelos contemporâneos não era sua intenção, embora a apreciassem e considerassem. Para eles o mais importante era aumentar o conhecimento e completarem-se. Mesmo considerando que o seu conhecimento era modesto, face aquilo que se poderá conhecer, esse objetivo era o que mais os aproximava do que chamavam a vida do Espírito.  Hoje em dia procuramos, acima de tudo, a aprovação e a recompensa dos outros. Atribuir prémios por isto e aquilo e findar no panteão levado por aqueles que o serviram e dele se serviram.  Ser um exemplo que a toponímia cultiva na versão mais corriqueira da cultura.  Mas qual é a alternativa? O Papa Francisco fala em serviço e na oração. E os não crentes o que podem fazer? E os artistas crentes e não crentes o que podem fazer? Se o nosso objetivo de vida, o nosso modo de ser, não for ser aprovado pela sociedade e com isso ganhar prestígio e posição, pode ser outro. Por ex., procurar ser melhor. Procurar ou sentir necessidade de se completar. Ser completo é um ser ou coisa a que não faltam partes. Nós gostamos de coisas completas para poderem ser perfeitas. Digo nós, aqueles que não pensam, como muitos pensam hoje, em que o que é incompleto ou desconstruído possui valor. O que é incompleto nunca pode ser perfeito. De fato nunca saberemos o que é ser perfeito, como nunca saberemos imensas coisas. Pode ser uma sensação de plenitude, de auto-satisfação, mesmo momentânea, compensadora. Mas é algo que se procura mesmo que nunca se alcance. Fugir à mediocridade, ao vulgar, ao indiferenciado. O politicamente correto serve bem a fuga a essa mentalidade, pois não penso que seja uma ideia, uma filosofia. No desenho esta situação, este encontro, é vulgar para não dizer permanente. Não ligar qualificação com completude, com inteireza, e maturidade será para muitos desnecessário e mesmo inútil. A intencionalidade do Espírito, em que alguns acreditam, ou a realização de uma personalidade, como dizia Goethe, como fim supremo do homem serão para outros o eterno caminho sem fim.







Esquírola cento e noventa e oito


António Lopez Garcia, 1936, é um extraordinário pintor castelhano. Como faço todos os dias, passo em revista a Cultura do El Pais e  do Vanguardia, online. Hoje Janeiro de 2019 vinha uma crónica de um jornalista sobre uma visita a Lopez na sua casa atelier de Madrid, no dia de aniversário.  Por vezes ocorre-me lamentar porque retomamos a independência em 1640, mas ao ler esta crónica, e a cultura que dela emana tão rica e própria de um castelhano, não consigo conceber que me chamassem pintor espanhol, como é reconhecido Lopez não só em Espanha, mas em todo o mundo. Nestes tempos os catalães reclamam ser independentes. Não o conseguiram ser em 1640 e agora parece algo estranho ou desafiante e desajustado. Mas ainda se confundem ou escondem nos Estados desta Europa tão diversa, as nações que são a essência da vida das comunidades e da cultura artística, mais do que outras, porque é super-estrutural. Estados ou países pequenos mantêm com galhardia a sua independência o que torna UE, o nosso futuro solidário e independente dando ao mundo nova lição e novo caminho. A minha cultura local é, em muito, devedora da cultura das outras nações europeias, há milhares de anos. Sinto-me tão longe de António como artista como ele se poderia sentir de mim, se a minha obra merecesse a presença da sua na Península e no mundo.  Conheci a sua obra há poucas dezenas da anos e logo vi a força da poética e do genius do sítio. Também vi acumulada a história da pintura espanhola, neste caso  mais do que castelhana. Mas como tudo isso me é estranho e mesmo desconfortável.  Algo que talvez os nossos antepassados do Séc. XVII sentissem assim. Essa assanhada ligação ao real, que é mesmo uma metafísica, como em Zurbaran ou Cotan e alguns diriam Velázquez, e eu digo não, há sangue português!, não me atraí.  Espero da pintura a revelação da imaginação que o real nunca me pode fornecer, acima de tudo quando é dominado pela denotação, pelo isolamento ou atomização. Grande vida e saúde a António para que desse labor tão intenso e apaixonado mais possibilidades encantadoras e qualificadas surjam mesmo que me sejam estranhas.  










PINDUAS/PINDOIS   Pinturas em duas faces e dois tempos


Projeto de pintura em pequena dimensão, em objetos ou superfícies anexas ou contíguas. Como as superfícies ou planos da pintura e da imagem são normalmente opostas quando de vê uma delas não se vê a outra. As superfícies podem ser em número superior e dar origem a situações de desenvolvimento temático ou semântico mais complexo. A exploração da condicionante temporal da apreensão e observação das imagens é o vetor mais importante do projeto pois deve permitir criar inusitadas situações expressivas.

Os objetos são em madeira de diversas árvores e as superfícies são preparadas com colas, tecidos e papeis.  São pintadas em acrílico, esmalte sintético e óleo de água. Também se utilizam pigmentos diversos, purpurinas e folha de ouro.

As dimensões e formatos variam com o tipo de cortes nos troncos das árvores.
O clip presente nas imagens dá a sua dimensão.







































































































































































































































































































































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O OUTRO
  
Nesta série de pequenas crónicas pretendo verter o que me vai na mente sobre experiências com as obras de alguns contemporâneos, conterrâneos e outros. Serei breve mas intenso quanto possa. É só um pequeno contributo para evitar o silêncio. O outros textos podem ser vistos na Página própria.




REMBRANDT






























Rembrandt van Rijn, 1606 -1669, Leida, fez uma obra de pintura, desenho e gravura das mais notáveis da cultura artística europeia. Aquela que é nossa, neste tempo de globalizações e fusões. É minha porque eu vejo todo um universo de que se faz a condição de pintor, ainda hoje a modalidade artística  intrinsecamente humana, do seu corpo e alma. A imagem mostrada é uma tábua de 25x32 cm, de 1629. Teria 23 anos. Parece-me, mais jovem, mas é o retrato da sua condição e contexto, não restam dúvidas. Quando a encontrei, num livro, não mais deixei de a ver, de a ter na minha memória visual presente. Estou sempre a vê-la.  Não se pintou ao olhar para o espelho, como fez Velázquez nas meninas. É ao mesmo tempo o retrato de si como não estivesse em si mas em frente a si. Não conheço nada, nenhuma pintura ou imagem, deste género ou tema, tão forte e significante. Quero dizer, surgem-me sentidos que me surpreendem e encantam pelo que transportam. O verdadeiro conteúdo da pintura: aquilo que deixa transparecer mas não se mostra. A pintura é, acima de tudo, ideia de imagem e de procedimento. O realismo que controla a objetualidade dos materiais, das superfícies e dos objetos, as particularidades que dão tempo, história e condição social e conforto. E a luz que ocupa todo o espaço livre entre o pintor e a tela, muito maior do que aquela em ela se representa, são do domínio da perceção. Estará ainda em branco ou ocre a tela? Foi iniciada a imagem, e o modelo está onde nos encontramos a vê-la? Estaria muito frio na sala. Está coberto de agasalhos e mesmo de um chapéu. Está pronto, mas aguarda. Que frágil é, me parece, mas ao mesmo tempo como me parece seguro. Quem pinta sobre a tela branca ou depois de ela ter deixado de o ser, sabe como podem ser longos estes stops. Às vezes podem ser um fim de intenção ou o arranque inspirado da ação. Mas que silêncio. Que solitário tão longe da solidão.

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NJIDEKA AKUNYILI CROSBY




















Nidjeka Akunyili, 1983, nasceu na Nigéria e estudou biologia e artes nos USA. É uma das estrelas emergentes da cena artística americana e noutras cenas do mundo das artes plásticas. Mantém com a vida e a cultura da Nigéria contatos muito próximos por via familiar e artística.  Já conhecia há algum tempo imagens das suas pinturas e recentemente topei com uma entrevista e conheci mais obras. As obras são pinturas sobre tela em óleo e também incluem transferes e colagens de imagens fotográficas pessoais e retiradas de magazines. É um retorno a Rauschenberg, entre outros, na tradição da pintura pop americana. Mas a pintura de objetos do quotidiano e do espaço de cena, e o gosto pela representação, como ela diz, são aspectos muito diferentes desses anos 50. Os objetos tipo Ikea, como diz, e um certo gosto da vida comum e de mistura de culturas e valores é o mando das cenas. Faz retratos, e como na imagem acima, pinta cenas dos momentos normais ou especiais da vida em comunidade ou dos seus amigos e conhecidos. Considera que teve duas fortes influências. Édouard Vuillard e Chris Olli. São de natureza diferente mas a de Vuillard é tão fascinante e inesperada que me deixou encantado. Como na peça acima reproduzida é muito evidente como se articulam os elementos plásticos e se faz a composição do espaço, que ela muito valoriza, como condição da poética. É um espaço dado pela representação em perspectiva dos objetos mesmo que os planos limites do espaço sejam imprecisos e em muitos casos nem existem embora se tenha a sensação correspondente. Claro que de Vuillard ela utiliza com profusão os padrões, muitas vezes geométricos, outros as imagens variadas e muitas vezes indecifráveis. Também se sente esse gosto pelo mundo da vida caseira. A luz e o volume dos corpos surgem inesperadamente e reforçam poéticas associadas a sentimentos, emoções, sensações ou sensualidades, muito femininas. Talvez fosse desnecessária esta referência final.






João Paulo Queiroz
































João Paulo Queiroz, 1966, expõe na FAUP, no projeto RISCOTUDO - riscotudo.wordpress.com , um conjunto de obras plásticas. Desenhar na Terra, assim se desiga a exposição. São 64 imagens, 21X21cm, numa folha A4 em que a margem restante superior contém a data e número do desenho.  O suporte será cartolina preta e as pinturas, como eu designo, são realizadas com pastel de óleo ou cera. Eu sempre pensei que o desenho inventou a pintura para sobreviver materialmente. Como se sabe, através da Net as obras expostas pertencem a um projeto iniciado há cerca de15 anos. É um projeto de desenho performativo que passa pela realização, num mês do Verão, na paisagem alentejana, durante um dia, de 8 desenhos, consecutivamente. É esta a dimensão performativa que condiciona a obra a sua criação, configuração, gestão e resultado. A importância do comum e do vulgar como tema ou motivo é presente; a árvore, a azinheira, como motivo ou subtema principal. O resto é paisagem.
É chinesa, e tem mais de 1000 anos, a prática de desenhar a paisagem do natural. Ainda hoje milhares, nas mesmas montanhas de outros tempos, realizam aguarelas semelhantes e diferentes. Tem origem em conceções ideológicas e religiosas, que não é momeNto para abordar. No ocidente depois do séc. XV começa a olhar-se para o real concreto, como tema, mas é no Naturalismo do séc. XIX, em França, que essa ideia e prática ganham consistência comportamental e cultural e de gosto. A experiência estética está no mundo natural e artificial. E numa conceção positivista e de neutralidade autoral e mesmo até, se fosse possível, expressiva. A matéria da Estética está nas nuvens, no céu à noite, no mar, numa pétala em tudo o que existe. Mas nada disso tem a ver com arte. O artístico, é um produto humano que surge da urgência e necessidade da representação, e não só, e é a interpretação dessa experiência. Mesmo na música, literatura e dança é assim. A esse resultado que não tem mais qualquer ligação com o real, nem o pode alguma vez igualar, ou adoptar é um simulacro, uma interpretação, uma apropriação ou uma partilha de algo, que só assim podemos aproximar.  Reside para mim aqui o desenho ou a pintura do natural. Nas pinturas de JPQ, formalmente a organização plástica assenta no quadrado, que concentra, fecha e tensiona a imagem para dentro, ao contrário dos retângulos. A mancha é o elemento plástico que cria o modo de esboço ou o suporta dando indefinição, sugestão e indução. A luz está sobre o chão e no céu e  funciona como envolvente duma forma que é o “retrato” do subtema - a azinheira.  É uma silhueta que nunca se deixa ver como corpo em si, com veemência, mas por vagos indícios, sem volume, (abstração) esteticizando-se. Este quadro associado ao pastel é o responsável por uma sensação que se me impôs, de um certo sufoco, opressão, de respiração contida que não vejo como defeito mas como poética. Um lugar e ser que a si se comove. Depois, em casa, me ocorreu que o I Ching tem 64 trigramas e a exposição 8 grupos de 8 desenhos – 64 .  I Ching é o Livro das Mutações e da Permanência. Em que cada trigrama, sendo independente, também está uma parte de cada um dos outros. Em cada dia o João fez 8 desenhos que não sendo o número dos hexagramas que são seis, respeitarão as qualidades dos trigramas? Como não sou experto, deixo isto assim… Fica a Mutação e a Permanência.








ISABEL SABINO



























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Four Seasons, please #6, 2017


Isabel Sabino,1955, é uma pintora de fato. Já foi outras coisas na arte. É também Professora de pintura na FBAUL com o que isso implica, hoje mais que nunca, de dedicado sacrifício. Esta pintura a óleo, pertence ao conjunto, ou série, Four Seasons. Desde há dez anos a sua pintura explora ou exprime essas dimensões da paisagem, como miragem, e das cenas dos humanos em seu redor ou em suas divagações. Isso me encantou quando vi alguma peças há uns anos. Achei muito alegre e ao mesmo tempo misterioso, enigmático e atraente.Vou usar dois adjetivos. Cómodo e incómodo – os dois de caráter e disposição diferentes, e bons e maus – com os quais podemos dar nome a realidades que nas pinturas, que não têm nada escrito, nos levam a dizer para não ficarmos calados. Caravagio era incómodo; Matisse era cómodo. Ele mesmo dizia que queria ser. As salas dos ministérios e serviços públicos tem nas paredes só pintura cómoda. Ela é feita para isso. Para decorar e alegrar. Os museus têm muitas obras incómodas. Nas casas poucos gostam de as ter. Mas é por elas que acedemos à mais rica complexidade espiritual. Poderei dizer que uma parte das pinturas da Isabel é cómoda e noutras se insinua a incomodidade. A incomodidade encanta-me e obriga-me a mudar e a comodidade leva-me a adormecer. Esta pintura é dominada pelo que designo de fragmentação formal e plástica. A pintura cria-se através da fragmentação das imagens das coisas através de pinceladas e manchas ou pequenas zonas que se aproximam ou afastam. Esse fato cria uma ilusão dependente da imprecisão, ou o contrário; sugere relações abertas. Em muitas outras obras a paleta é muito contrastada em termos de cores mais do que de tons. A vibração é muito intensa, atraente e delicada e, até, complexa. A divisão vertical da composição da pintura por um filtro ou cortina que dá da imagem geral duas visões distintas.  Atua sobre o ponto de vista cromático e de negativo/positivo sob ponto de vista do significado. Tenderá a dar tempos diferentes, ou estado de alma diferentes no mesmo tempo de visualização. Ou o ser o outro. Ou a alternativa ou o outro possível. Mas nós ficamos num deles. Pode não passar de formalismo ocasional ou fortuito ou gratuito. Há algo que o desminta. Na parte direita vemos uma cena entre uma mulher e um homem que se parecem divertir ou deleitar. Noutras obras da série esse dispositivo mantém-se e não sendo ordenador da composição surge nela como os outros elementos; sem estrutura firme. Daí talvez a necessidade das cortinas. Não se sente agressividade ou tensão. Há uma alegria anunciada embora a cor seja nebulosa ou “cinzenta”. Na parte esquerda que parece ser um “negativo” parece anunciar-se um espaço mais alegre ou onírico. A boa pintura dá que falar, embora eu não tenha dito muito.






   
SOROLLA


















Joaquín Sorolla, 1863-1923, foi um dos mais qualificados pintores espanhóis da transição dos séculos.  Há dias vi em Lisboa, no MNAA, uma exposição da sua obra. Já tinha reparado na sua pintura sobre os banhistas das praias de Valência. Mas não pude deixar, ao ver a exposição, de pensar em Henrique Pousão e Pablo Picasso. Pousão, 1856,  era mais velho que Sorolla 4 anos, 1863. A obra de Pousão iniciada no Porto e continuada em Paris e em especial em Itália, acaba quando tem 25 anos.  Sorolla por essa altura e idades faz uma obra próxima de Pousão na temática, formatos e modelos de pintura. A obra de Pousão é muito superior. Que teria acontecido à obra de Pousão se ele tivesse, como Sorolla, vivido até aos sessenta? A viver em Portugal teria fenecido. Se tivesse vivido em Espanha teria tido uma dimensão superior. Sorolla apoia a sua obra na Espanha das nações fazendo paisagens de todas elas e conquista um público vasto. A projeção da sua obra adquire relevância internacional e é convidado a realizar para a Hispanic Society um conjunto de enormes telas que revestem a biblioteca da sede em New York. Um conjunto de telas que realizou em Espanha antes de ir para NY, esboços de alguns dos temas que recriou sobre os tipos e  trajes das regiões espanholas, são um vigoroso e fascinante exercício de pintura realista ou de representação e que se pode ver no MNAA. Esta pintura iniciou-a ele em 1909. Les demoiselles d´avignon são de 1910. Aqui entra Picasso. Outro espanhol mais novo 20 anos que  inicia o processo modernista de destruição da necessidade da representação na pintura. Ambos se ignoravam. Picasso estabelecia o seu poder expressivo em Paris e Sorola em Valência. Um ocupando o mundo; o outro ocupando pouco mais do que a sua Espanha. Hoje passados cem anos, eu que me formei nas Belas Artes, na senda da abstração, não posso deixar de dizer que essas pinturas que vi e Sorolla, inesperadamente pela primeira vez,  me deixam um desejo enorme de as voltar a ver, porque espero reencontrar essa surpreendente expressão da relação entre o estético, o sentimental, o social, o vulgar e o insólito que só o real nos dá . Encontrei nessas pinturas a continuação da senda de Giotto, até Delacroix. Coisa que alguns pintores realistas contemporâneos também ainda cultivam.


PAULO LUÍS ALMEIDA
























Paulo Luís Almeida é artista plástico e professor na FBAUP. Tem expostos na FAUP, no projeto RISCOTUDO - riscotudo.wordpress.com , um conjunto de desenhos sobre o tema da agonia e no motivo da agonia e morte do próprio pai.  É um tema/motivo só superado pela morte da mãe e, ainda mais, do filho. Designa a exposição de,  A visita – Notas sobre o desenho como imagem nua. A sua obra tem sido orientada por práticas designadas performativas que são do conhecimento e apreciação públicas.  Este conjunto de desenhos pertence a um conjunto muito mais vasto realizado como exercício de observação, desde 2010 a 2018, nas inúmeras visitas que fez ao pai em sofrimento. São irrelevantes para o caso desta interpelação ou reflexão os números e aspectos dos desenhos não expostos. São, pois, acima de tudo amostras de um processo performativo. Isto é, mais do que o valor dos desenhos realizados, analisado nas suas vertentes, o que se propõe é a reapreciação, vivência e testemunho, por interposta ação, do lento e longo sofrimento que o Alzheimer convoca para finalizar a vida do humano e daquele que o decide acompanhar. O título da exposição não é para mim compreensível o que comprova, mais uma vez, que o significado nas imagens é mais penetrável do que nas palavras. A relação do filho desenhador com o pai modelo, no ato do desenho de observação não foi realizado num contexto de causa-efeito. A consciência não pode guiar o ato artístico e expressivo e o seu sentido. Só o método mântico, que vem lá de longe, de muito longe, pode ligar os espíritos mais do que as mentes. É uma conceção ideológica que não decorre nos contextos de tempo e espaço que fazem a causalidade. Decorrem na sincronicidade admissível entre tempo e lugar sem diferenciação. Um todo. Uma síntese. Entre o método e os processos e as técnicas decorrem o princípio, os meios e fim da ação. Para cada um deles os outros ocuparão lugares e funções diferentes entre si. Por outro lado – o da semiótica do desenho – não foi a fotografia que descobriu a luz na imagem. Foi a pintura e o desenho. Há autores que afirmaram que a mancha é contra a linha na aproximação a essa vivência sincrética, irracional aos valores e sentidos das coisas que vemos sem ver e ouvimos sendo surdos – ao inconsciente. Nos desenhos expostos a utilização da linha é dominante e a mancha aparece como derivada, esquemática ou expediente formalista, expressivo e ligeiro. A luz que o lugar continha  e fazia o real, não aparece. A mancha ténue ou intensa transporta/transforma o significado mesmo sendo só sinal. Mas se isso se coaduna com uma visão não realista ou naturalista assumida, deixa-me a dúvida sobre o que a sua utilização intensiva atenta e criteriosa não teria permitido ao Paulo e ao Pai no Paulo terem conseguido maior sincronia. Mas quem sou eu?


Frederic Leighton



 
























Frederic Leighton, 1830-1896,  era um membro da aristocracia inglesa vitoriana e um excelente pintor. A sua pintura dedica-se ao retrato das famosas, ricas e sempre elegantes figuras da corte inglesa. Os temas mitológicos considerados, em termos gerais, moralmente irreprimíveis permitiam tratar o nu feminino e masculino sem grandes reservas a não ser aquelas que alguns franceses se atreviam. Mas o mais fascinante ao abordar a sua obra, é ter a consciência de que a cultura artística europeia, que liderava o mundo que se admitia poder assim ser considerado, tinha em Cézanne, e na sua pintura o mais afastado cultor que era possível conceber nessa altura como alternativa à pintura de Leigthon. Nasceram e morreram em datas próximas e viveram o mesmo tempo. Um na ilha imperial outro na França-Paris/Mediterranée. Esta pequena pintura de 1858, é um belo pretexto para pintar dois corpos humanos em cores e tons muito diversos, admitindo que seriam de raças iguais. Os genitais do pescador, são encobertos por um calção largo, de moda concerteza, como também o penteado da sereia. Mas como é bom poder pintar sereias, acredite-se ou não! Claro que a languidez do jovem indicará que sonha ou que está insensível, ou doente mesmo, em termos de contato sensual e físico. Como dá tão pouco jeito pensar agora nos nus de Cézanne! No que se tem de mudar para pensar em pintura e sentir sobre as cores!









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Nova série de desenhos explorando as possibilidades operativas de um instrumento-meio
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