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pintovieiradesenho

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DÉCADAS DE 1960 . 1970





1960

Nesta década realizo os primeiros trabalhos que possuem alguma intencionalidade artística.  Isto é, eu pretendo assumir ao realizá-los que eles transportam alguma coisa que tendo surgido em mim tem uma urgência em ser partilhado embora não tenha qualquer finalidade. Alguns desses trabalhos talvez possam vir a ser mostrados.





                                     1966


As obras aqui mostradas foram realizadas no atelier e algumas ainda na Escola de Belas Artes.  As primeiras, de 1966, expostas algumas nas Exposições Extra-Escolares, exploram os formalismos próprios da pintura abstracta, algumas influenciadas pela arte óptica, então em voga em Paris e Londres.
São a expressão da tendência abstracionista que então se instituia como "verdadeira vanguarda", na luta contra uma figuração exangue e académica. É necessario referir que a ESBAP era um local, único no país e dos poucos na  Europa, onde as mais variadas expressões das correntes mais contemporâneas eram prática escolar sem qualquer impedimento ou rejeição, embora sem enquadramento pedagógico ou didático. Era tudo matéria do foro individual de cada aluno. Como era isso avaliado e classificado sempre foi para  mim um mistério!



DESENHOS
Os desenhos de 1966 pertencem a conjuntos que tratam de temas eróticos, paisagisticos e animalistas fantásticos que então fazia, "contra a corrente", e que são, vejo agora, depois de tantos anos guardados nas pastas,da familia dos "desenhos sem pensar", mostrados na página DESENHOS.  




30x21cm caneta sobre papel


30x21 cm, caneta sobre papel


30x21 cm, caneta sobre papel


30x21 cm, caneta sobre papel

        

MONTAGENS
Estas peças, pertencentes a um vasto conjunto, elaboradas em 1966, no atelier, como resposta e até complementaridade ao processo escolar, que era muito liberal e experimentalista, incluem além do papel de seda, cascas de pinheiro manso que eu tinha recolhido, como sempre fazia com todo o tipo de restos naturais, e que me pareceram, recordo ainda, dum capricho formal fascinante fornecido pelo acaso. Ao incorporá-las nas obras não as "perdia".
     
1966, 50x70, montagem de papeis vegetais coloridos e cascas de pinheiro manso




1966, 50x70, montagem de papeis vegetais coloridos e cascas de pinheiro manso


1966, 50x70, montagem de papeis vegetais coloridos e cascas de pinheiro manso



                                       1967




obras de pastel de cera
Abstracções sequenciais




1967, 50x70, pastel de óleo sobre papel


1967, 50x70, pastel de óleo sobre papel







                                      1968


Obras de "arte óptica"
Estas peças são exemplos das obras realizadas já no final do curso das Belas Artes e outras realizadas no atelier. Como já se disse correspondem a uma cultura da inovação abstracionista com especial incidência em Paris e que nos chegava atrvés de revistas especializadas e de visitas difíceis e raras a Paris.  












1968, 50x80, esmalte celuloso e óleo  sobre madeira


1967, 130x50, acrilico e óleo sobre madeira




1968, 50x80,
esmalte celuloso e óleo sobre madeira




                                      1969




Conhece a via láctea? 
Pinturas em dupla face
com esmalte sintético aplicado
à pistola sobre polietileno engradado.
140x140 cm

Algumas das peças expostas na Cooperativa Árvore, em 1969,
na série de exposições, porque sim? porque não?

Neste período a influência da pintura americana começava a ser mais forte, em especial após a exposição em Paris dos autores minimalistas, com a exposição, Art du Reél. Também através da revista Studio International se podia estar ao corrente das tendências mais recentes do abstracionismo.



















1970





A década de 70 vai ter uma evolução muito grande. Aqui ficam algumas imagens da exposição na Galeria Buchholz, em Lisboa em Janeiro de 1971. A galeria era dirigida por Rui Mário Gonçalves.  As obras são em madeira pintada das duas faces do mesmo modo, a esmalte sintético, aplicado à pistola. Não são esculturas, são pinturas tridimensionais ou objectos artísticos. O Tema da série é, a cruz. Exprime uma influência do minimalismo americano associada a uma disposição psicologica que lhe era estranha. Depois dessa data tudo será diferente.














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Janeirode1971Dezembrode1973
                  serviço militar obrigatório e comissão de serviço em Angola






































                              1974





Em Janeiro de 1974 recomeço a realizar desenhos que tinha iniciado em Luanda. Tinha tido um contacto com a imagem fotográfica através das fotos que fazia e, acima de tudo, com as imagens de revistas, em especial a STERN, que se vendia em Luanda. Desde essa altura tornou-se para mim evidente a importãncia da imagem fotográfica no universo das imagens gráficas em geral mas possuida de uma condição de "irrelevância" que era necessário recuperar ou proteger. Estaria aí um novo espaço de expressão da sensibilidade plástica? Também tinha decidido que a minha relação com as figuras do real e com o desenho de representação seria feito através da "anulação" da minha condição expressiva.  Isto é, eu usaria as fotos como modelos ou objectos a representar respeitando em absoluto toda sua condição plástica própria de imagens fotográficas. A expressão gráfica do desenho e da pintura assim produzida ficava refém das caracteristicas da imagem fotográfica - grãos de prata mais densos ou mais soltos.  Este desígnio ou base metodológica radical manteve-se até 1982. Depois evoluiu, como se poderá ver.
A primeira série de desenhos a grafite são elaborados com algumas influências do "conceptualismo".
São sempre 4 visitações a uma pequenina imagem, recolhida numa revista, de uma face de mulher que nos olha de frente. Cada visita, em certo dia e durante um certo tempo, está registada na base de cada um dos desenhos.


De novoAltamira;
quatro tempos para uma posse.
1974/1975

                                



                                                                                 1974, 70x50cm grafite sobre papel








Nocturnos
1976
série de desenhos a grafite, 60x40 cm



                                                       






                                                                1976 



Em 1976 iniciam-se um novo conjunto de séries de obras, que se irá manter até 1982, cuja principal característica é a montagem de pinturas a lápis de cor, desenhos a grafite, fotocópias, fotografias a cor e p/b. sobre cartolina colada em palaca de madeira.

Começava a tornar-se mais evidente, embora pouco claro, que a pintura que me interessava, era aquela que até ao modernismo considerava que a sua condição era ser imagem e não  objecto que o abstracionismo veio definitivamente a consagrar. Quer dizer, para mim a pintura não era mais uma matéria "controlada" pela estética mas uma actividade, não sei se artística, empenhada em viver as outras disciplinas do conhecimento da vida e do exercício das expressões poéticas.  Assim, os desenhos e pinturas tinham uma dimensão plástica própria que eu considerava "quase nula". De facto, eu recusava a minha condição de ser plásticamente expressivo, pois a imagem criada dependia quase em exclusivo da realidade formal contida na fotografia modelo. Noutros locais do blog espero voltar a referir-me a este aspecto.


                                                              Alice

Esta obra é constituída por 4 peças que podem ser vistas em conjunto ou isoladamente. São uma montagem, sobre cartolina branca, de uma pintura a lápis de cor, repetida em todas as peças, a primeira à esquerda, e depois, á direita, de uma pintura a lápis de cor e de fotografias a PB das pinturas que estão nas outras peças. Formato de cada peça 90x50 cm






                                        



                                             


 Abril

Esta série de peças, da mesma obra, pode ser observada em conjunto ou em separado, pois pretendia considerar que a fruição de uma obra pode e deve ser feita com a sua presença e com a sua memória. As peças poderiam estar em locais distintos. A repetição de imagens, por fotocópia ou fotografia, das imagens originais, desenho a grafite na sequência de cima, e de pinturas a lápis de cor, nas do meio e de baixo, são o meio para atingir esse desiderato. As imagens de cima tratam do fardamento de um militar; as do meio de agitação e manifestção social; as de baixo de locais e ambientes de prazer e libertação.






1976     90x60cm, cada peça





1977




A queda de Ícaro
Esta obra é constituída por duas peças em díptíco horizontal, com as dimensões de 90x110 cm. São desenhos a grafite e a lápis de cor- que se podem observar com mais detalhe em fotos publicadas a seguir- montados em cartolina colada em platex. Na parte superior há uma imagem maior, depois a reprodução da imagem idêntica do outra peça e depois a imagem identica da figura desenhada a grafite na parte inferior da outra peça. Esta referência obedece à eleição dessa imagem da parte inferior, como sendo a mais dramática em termos da vida pessoal.   
Como acontece noutras peças deste período as peças podem ser fruídas em conjunto ou separadamente pois o jogo estético, emotivo ou mental é feito com base em imagens que constituem cada painel e que pertencem ao outro, aparecendo aí reproduzidas em foto a P/B na parte sueprior. Na parte inferior a repetição das imagens é feita em cada coluna através de uma foto a p/b e de outra a cores.



peça A



detalhes das imagens desenhadas a grafite ou pintadas a lápis de cor.








peça B





detalhes das imagens desenhadas a grafite
ou pintadas a lápis de cor.











1978



MONTE SHRI PADA / MONTE STª EUFÉMIA

Esta  obra é constituída por 7 peças que podem ser vistas em conjunto ou separadamente. Apresenta uma organização diferente de outras peças desta época, mas retém aspectos essenciais.
O número 7 foi utilizado, como noutras peças, pois parece possuir, na sequência respectiva, qualidades que são apreciáveis e que pude verificar. 
Cada peça é constituída por uma foto p/b do monte Sri Pada, na Birmânia, e por uma aguarela por mim realizada em cada peça a partir da foto a p/b. No grupo de baixo
encontra-se uma foto, feita por mim, de um momento de ascenção do Santuário de Stª Eufémia, na Maia e por uma pintura a lápis-de-cor interpretando uma porção dessa foto.
Cada peça tem 100x50 cm e as imagens estão montadas sobre cartolina colada em contraplacado assente numa grade em madeira.













DETALHES DA PEÇA Nº5










                                    1978





o Sr. José

Retrato, em duas peças, A e B, do jornaleiro da casa dos meus pais. Como noutras obras deste período, que tanto podem ser fruidas em conjunto ou separadamente, cada peça é constituida por 4 colunas de três imagens.
A primeira de fotografias a cores; a segunda de reproduções cruzadas, a p/b, das anteriores; a terceira de pinturas a lápis de cor, interpretando as imagens das cabeças;a quarta de reproduções cruzadas, a p/b, das anteriores.   
Dimensões: 90x60 cm
Montagens sobre cartolina colada em platex














1979
  
o retrato do José Grade

Esta peça, como as anteriores, é uma montagem de fotografias e de pintura a lápis de cor, sobre cartolina colada sobre platext. São sete peças com 40x40 cm, cada .
As fotografias são polaroid o que permitiu realizar a peça nas condições desejadas.
Cada peça é constituída por 2 fotos polaroid e por uma pintura a lápis de cor.
A peça regista um processo que se inicia quando mostro ao José Grade uma foto que tirei nas margnes do Douro e que têm um certo pathos. Ele toma essa foto na mão e é fotografado. Seguem-se as outras com o retratado situado em vários locais da casa. Tal como se vê na foto da direita. Nessa altura ele indica-me uma imagem que lhe surge na mente através de uma identificação ou descrição verbal. Depois de concluído este processo elaborei  no atelier cada uma das imagens solicitadas e montei o conjunto.
Das imagens mostradas, a primeira que foi feita da peça que ainda possuo é de melhor qualidade. As outras são reproduzidas a partir de slydes da mesma data. As outras 6 peças foram dispersas pelo retratado por pessoas da sua estima.   

















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